A Estrada.
Independentemente de concordarmos ou não, a Juventude Social Democrata do Seixal tem-se destacado pelo activismo e pelo esforço em divulgar as suas causas. Neste artigo gostaria, antes de me dirigir ao tema central do assunto, de repudiar os actos de vandalismos aos diferentes suportes de divulgação desta juventude partidária. É lamentável que isto aconteça mais de 30 anos após o 25 de Abril - estes actos de vandalismo são actos de censura explícita à liberdade de expressão política que é inalienável a qualquer cidadão ou grupo de cidadãos.
Ora o tema central do meu artigo é o último outdoor lançado pela JSD: a mensagem escrita é "Prometeram. Agora cumpram! Terminem a alternativa à Estrada Nacional 10". Em baixo pode-se ler o slogan da JSD que afirma a sua relação com o receptor politico com "É por ti".
Ao princípio, confesso que fiquei um bocado perplexo com o outdoor: estranhei mas não entranhei! Porque é que uma juventude partidária dedicaria um outdoor - o espaço de divulgação de grande impacto que, consequentemente, é dispendioso - a uma estrada! É verdade que as vias rodoviárias afectam-nos a todos mas porque é que uma "jota" dedicaria um esforço tão grande a declarar por outras palavras: façam uma estrada! E perguntei-me a mim próprio: será que os jovens querem uma estrada?
Nós, na Rato - ADCC, estamos a fazer um documentário sobre o que é ser jovem no Concelho do Seixal (que será apresentado no dia 16 de Março, no Espaço Março Fora D' Horas, pelas 22h - peço desculpa pela publicidade...) e em momento algum, nas mais de 10 horas de filme bruto de entrevistas com jovens e com pessoas ligadas à temática da Juventude, encontrámos alguém a declarar que o que é necessário para o Concelho é a tal estrada ou uma estrada sequer.
Mais peculiar se torna a situação quando pensarmos no slogan da JSD: "É por ti". É pelos jovens do Concelho do Seixal que se reivindica uma estrada. Uma estrada. Uma estrada pelos jovens. Eu pergunto: faz sentido uma organização juvenil, seja ela partidária ou não, lutar por uma estrada quando existem tantas lacunas e há um profundo menosprezo político e ideológico com a faixa etária juvenil na sociedade. Este outdoor diz que falar de juventude é decorativo e acessório porque os problemas reais do concelho (e consequentemente dos jovens seixalenses) baseiam-se em situações como o incumprimento de uma promessa eleitoral de uma estrada. Esta interpretação do outdoor é perfeitamente válida - a JSD ignora e não se importa em ignorar uma agenda política quase consensual na área da Juventude. Que se lixem os jovens, as organizações juvenis e outros inutilidades semelhantes - nós, JSD, queremos uma estrada que vocês prometeram e não fizeram!
Confesso que foi a primeira vez que eu vi uma situação destas - se calhar a JSD quisesse mostrar maturidade política afirmando consciência sobre outros problemas mas com tantos outros problemas porquê uma estrada? Os argumentos apresentados no blog da JSD contêm em si uma prova de um discurso que revela ambição pelo palco maior da política no concelho. Objectivamente analisando, podemos legitimamente concluir que a JSD do Seixal ambiciona algo mais do que ser uma juventude partidária. A JSD quer ser levada a sério por isso aborda assuntos sérios... como estradas.
Já não há estradas com fartura? Por momentos, pensei que a JSD tivesse desprezo pelos próprios jovens porque os problemas dos jovens não sejam dignos de um outdoor de uma juventude partidária. Se calhar têm razão... esta situação é no fundo o espelho da falta de visão sobre as diferentes questões ligadas à Juventude. Os Sex Pistols tinham razão... no future!
quinta-feira, março 01, 2007
terça-feira, fevereiro 20, 2007
sábado, fevereiro 17, 2007
Não tenho tempo... Bolas!!! Bolas!!! Bolas!!!
Hoje não me apetece fazer nada mas no outro dia estava a ouvir o Fernando Tordo e lembrei-me desta música...
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
José Carlos Ary dos Santos
Hoje não me apetece fazer nada mas no outro dia estava a ouvir o Fernando Tordo e lembrei-me desta música...
Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.
José Carlos Ary dos Santos
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Há pessoas notáveis...
António Borges dixit:
Segundo números avançados pelo economista, e tendo como referência que cada interrupção voluntária da gravidez custará ao Estado cerca de 650 euros, «os custos de 2,3 abortos serão suficientes para pagar uma cirurgia média».
Para ler o resto da notícia, siga o link
António Borges dixit:
Segundo números avançados pelo economista, e tendo como referência que cada interrupção voluntária da gravidez custará ao Estado cerca de 650 euros, «os custos de 2,3 abortos serão suficientes para pagar uma cirurgia média».
Para ler o resto da notícia, siga o link
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Ensinar é dar para sempre... uma frase que roça o piroso mas funciona...
Vejam o video
Até ao próximo post!
Vejam o video
Até ao próximo post!
sexta-feira, dezembro 29, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Feliz Natal e um bom Ano Novo...
Leiam este artigo... é giro...
E aqui fica o meu postal de Natal!!!
Eu vou voltar a escrever mais... prometo!!!
Leiam este artigo... é giro...
E aqui fica o meu postal de Natal!!!
Eu vou voltar a escrever mais... prometo!!!
quinta-feira, novembro 23, 2006
Fazer post #2 com alguns extras
Vamos ver alguns tags básicos...
Em negrito
Em itálico
Em sublinhado
E uma hiperligação para o sítio na Internet da
Rato - ADCC
Em negrito
Em itálico
Em sublinhado
E uma hiperligação para o sítio na Internet da
Rato - ADCC
Fazer 1 post com o Firefox
Graças ao meu amigo Ricardo, fiz o meu primeiro post com o Mozilla Firefox... se isto funcionar a velha máxima é mesmo verdade: software livre rula!!!
powered by performancing firefox
segunda-feira, novembro 06, 2006
Sermão de Frei Tomás para a menina Mafalda
Na Rato - ADCC conheci o Mário(nome fictício), um jovem profundamente convicto de que as substâncias canabinóides (a marijuana ou o haxixe...) aumentam a inteligência e que poderiam ajudar-me com a bronquite asmática que sofro desde os 5 anos. Mostrava-me sítios na Internet com provas e casos médicos relatados. Eu, que nunca meti um cigarro à boca, por pudor ou por cepticismo, nunca fui na sua conversa mas, por vezes, questiono-me se ele tem razão ou não.
Quando trabalhamos em juventude, há que haver uma humildade em saber aprender com os outros, principalmente quando os outros são mais novos que tu. Mas este é um daqueles temas “tramados” em que é fácil entrar nas areias movediças dos sermões moralistas – a Saúde Juvenil. Não sou médico mas durante a minha vida, por ser asmático, fui sempre confrontado com o que posso fazer ou não. E sempre que falava com diferentes médicos, encontrava diferentes perspectivas sobre a minha doença – enquanto “puto” pensava: “Bolas, a medicina é supostamente uma ciência exacta”. Supostamente...
Mais complexo era quando me confrontava com adultos asmáticos e perguntava-lhes “Porque é que fumas? Isso faz mal à saúde...” Duuuh :)
O dilema do “certo e do errado” na adopção de comportamentos saudáveis atravessa a nossa vida em diferentes situações como cidadãos e seres humanos. A droga, os distúrbios alimentares ou a sexualidade levam a questões que ultrapassam o juramento de hipocrates dos médicos. Hoje já somos capazes de admitir que a Saúde é um conceito social e falar de Saúde é mais do que falar das listas de espera, das médias do curso de Medicina e do encerramento de centros de saúde. É necessária uma visão holística e entender que ser saudável é bem mais do que não estar doente. Mais: ser saudável, hoje, pode ser um conjunto de conceitos e, amanhã, pode ser algo completamente diferente. Esta ideia de mudança é difícil de assimilar, sobretudo, para pessoas mais velhas mas também é bastante difícil de encaixar na cabeça de adolescentes e jovens adultos. A falta de referências ideológicas da Pós-modernidade institucionaliza o “vale tudo” - live fast, die young (vive depressa, morre jovem). As últimas palavras de Timothy Leary, defensor nos anos 60 dos benefícios do consumo de LSD, foram: “why not?” - Porque não? Sim... porque não?
Na era da informação, ainda há pessoas que afirmam que há falta de informação. Eu diria que o problema não é esse – o que há é falta de pessoas informadas ou que não querem ser informadas ou ainda que estão fartas de ser informadas. Para vermos como esta questão pode ser transposta para outros domínios da Saúde, pode-se abordar a problema da sexualidade – por exemplo, com que idade é que se é que se deve começar a ter relações sexuais? Podemos ter a resposta “na ponta na língua” mas esta é uma daquelas perguntas com que Mafalda (a personagem de Banda de Desenhada criada pelo argentino Quino) “tramava” o Pai. Todo o assunto está inquinado de valores e ideias da nossa visão do Mundo e da Humanidade. Se para nós (adultos) já é difícil encontrar uma estrela do Norte, imaginem quem está na idade dos “Porquês” e dos “E porque não?”...
Falar é fácil mas, neste caso falar bem é muito difícil – o tema é difuso e, em coerência, obriga a que nós estejamos dispostos a admitir que Frei Tomás (faz o que ele diz, não faças o que ele faz!) vive em todos nós: a verdade é que institucionalizámos diversos hábitos pouco saudáveis – eu, quando era “puto”, dizia que o café era um vício capitalista – hoje bebo três por dia. Não fumo mas estou gordo como um americano. Trabalho uma média de 10 a 12 horas por dia, muitas vezes sentado à frente de um computador – sei que posso morrer bem cedo com complicações cardiovasculares mas dificilmente mudarei a vida que levo. Já tinha idade para ter juízo...
Por outro lado, Mário (ver o primeiro parágarafo), para muitos, é um rapaz muito magro, algo apático (demasiadas ganzas...) com um estilo de vida completamente diferente do meu mas é, de facto, uma pessoa com uma inteligência acima da média – quando falamos sobre Informática facilmente descambamos para discussões sobre Lógica e Filosofia – acreditem que isto num informático é muito raro. Seguimos caminhos diferentes mas não sei quem vai ter mais problemas de saúde (seja lá isso o que for...). O Futuro dirá.
Na Rato - ADCC conheci o Mário(nome fictício), um jovem profundamente convicto de que as substâncias canabinóides (a marijuana ou o haxixe...) aumentam a inteligência e que poderiam ajudar-me com a bronquite asmática que sofro desde os 5 anos. Mostrava-me sítios na Internet com provas e casos médicos relatados. Eu, que nunca meti um cigarro à boca, por pudor ou por cepticismo, nunca fui na sua conversa mas, por vezes, questiono-me se ele tem razão ou não.
Quando trabalhamos em juventude, há que haver uma humildade em saber aprender com os outros, principalmente quando os outros são mais novos que tu. Mas este é um daqueles temas “tramados” em que é fácil entrar nas areias movediças dos sermões moralistas – a Saúde Juvenil. Não sou médico mas durante a minha vida, por ser asmático, fui sempre confrontado com o que posso fazer ou não. E sempre que falava com diferentes médicos, encontrava diferentes perspectivas sobre a minha doença – enquanto “puto” pensava: “Bolas, a medicina é supostamente uma ciência exacta”. Supostamente...
Mais complexo era quando me confrontava com adultos asmáticos e perguntava-lhes “Porque é que fumas? Isso faz mal à saúde...” Duuuh :)
O dilema do “certo e do errado” na adopção de comportamentos saudáveis atravessa a nossa vida em diferentes situações como cidadãos e seres humanos. A droga, os distúrbios alimentares ou a sexualidade levam a questões que ultrapassam o juramento de hipocrates dos médicos. Hoje já somos capazes de admitir que a Saúde é um conceito social e falar de Saúde é mais do que falar das listas de espera, das médias do curso de Medicina e do encerramento de centros de saúde. É necessária uma visão holística e entender que ser saudável é bem mais do que não estar doente. Mais: ser saudável, hoje, pode ser um conjunto de conceitos e, amanhã, pode ser algo completamente diferente. Esta ideia de mudança é difícil de assimilar, sobretudo, para pessoas mais velhas mas também é bastante difícil de encaixar na cabeça de adolescentes e jovens adultos. A falta de referências ideológicas da Pós-modernidade institucionaliza o “vale tudo” - live fast, die young (vive depressa, morre jovem). As últimas palavras de Timothy Leary, defensor nos anos 60 dos benefícios do consumo de LSD, foram: “why not?” - Porque não? Sim... porque não?
Na era da informação, ainda há pessoas que afirmam que há falta de informação. Eu diria que o problema não é esse – o que há é falta de pessoas informadas ou que não querem ser informadas ou ainda que estão fartas de ser informadas. Para vermos como esta questão pode ser transposta para outros domínios da Saúde, pode-se abordar a problema da sexualidade – por exemplo, com que idade é que se é que se deve começar a ter relações sexuais? Podemos ter a resposta “na ponta na língua” mas esta é uma daquelas perguntas com que Mafalda (a personagem de Banda de Desenhada criada pelo argentino Quino) “tramava” o Pai. Todo o assunto está inquinado de valores e ideias da nossa visão do Mundo e da Humanidade. Se para nós (adultos) já é difícil encontrar uma estrela do Norte, imaginem quem está na idade dos “Porquês” e dos “E porque não?”...
Falar é fácil mas, neste caso falar bem é muito difícil – o tema é difuso e, em coerência, obriga a que nós estejamos dispostos a admitir que Frei Tomás (faz o que ele diz, não faças o que ele faz!) vive em todos nós: a verdade é que institucionalizámos diversos hábitos pouco saudáveis – eu, quando era “puto”, dizia que o café era um vício capitalista – hoje bebo três por dia. Não fumo mas estou gordo como um americano. Trabalho uma média de 10 a 12 horas por dia, muitas vezes sentado à frente de um computador – sei que posso morrer bem cedo com complicações cardiovasculares mas dificilmente mudarei a vida que levo. Já tinha idade para ter juízo...
Por outro lado, Mário (ver o primeiro parágarafo), para muitos, é um rapaz muito magro, algo apático (demasiadas ganzas...) com um estilo de vida completamente diferente do meu mas é, de facto, uma pessoa com uma inteligência acima da média – quando falamos sobre Informática facilmente descambamos para discussões sobre Lógica e Filosofia – acreditem que isto num informático é muito raro. Seguimos caminhos diferentes mas não sei quem vai ter mais problemas de saúde (seja lá isso o que for...). O Futuro dirá.
sábado, outubro 14, 2006
Amigo
Por Alexandre O'Neil
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Por Alexandre O'Neil
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
sexta-feira, setembro 29, 2006
quinta-feira, setembro 28, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
Compromisso Portugal II
Esta «bomba» dá-nos uma outra perspectiva sobre a Sociedade Portuguesa e sobre o problema da competitividade da Economia Portuguesa...
Editorial do Diário de Notícias de 27/09/2006
Público: 27/09
Para quem não sabe o que é o Fórum Económico Mundial, cliquem aqui ou aqui.
Esta «bomba» dá-nos uma outra perspectiva sobre a Sociedade Portuguesa e sobre o problema da competitividade da Economia Portuguesa...
Editorial do Diário de Notícias de 27/09/2006
Público: 27/09
Para quem não sabe o que é o Fórum Económico Mundial, cliquem aqui ou aqui.
terça-feira, setembro 26, 2006
Uma das poucas coisas que compensa em ser Português está na nossa poesia... este poema dito pelo Mário Viegas (no Programa Palavras Ditas) é... único e especial.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, setembro 25, 2006
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