quinta-feira, agosto 23, 2007
segunda-feira, agosto 20, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
Hoje, Muro de Berlim faz anos.
Quando era puto passava o tempo a ver televisão e via os campeonatos europeus de diferentes modalidades desportivas. Especialmente da natação...
O que me fascinava naquela altura eram os hinos e os mais bonitos eram, sem dúvida, os hinos da Europa de Leste. O hino da RDA continua a ser uma referência melódica que não consigo esquecer pela sua beleza e pela mensagem de esperança - era uma composição de Hans Eisler que trabalhou com Bertolt Brecht. Foi demasiado comunista para uns e pouco comunista para outros - sofreu nos dois lados... anos mais tarde li a letra (escrita por Johannes R. Becher) que continha os mesmos sentimentos direccionados para a utopia de um Mundo melhor...
Infelizmente, a Vida não imitou a Arte.
Quando era puto passava o tempo a ver televisão e via os campeonatos europeus de diferentes modalidades desportivas. Especialmente da natação...
O que me fascinava naquela altura eram os hinos e os mais bonitos eram, sem dúvida, os hinos da Europa de Leste. O hino da RDA continua a ser uma referência melódica que não consigo esquecer pela sua beleza e pela mensagem de esperança - era uma composição de Hans Eisler que trabalhou com Bertolt Brecht. Foi demasiado comunista para uns e pouco comunista para outros - sofreu nos dois lados... anos mais tarde li a letra (escrita por Johannes R. Becher) que continha os mesmos sentimentos direccionados para a utopia de um Mundo melhor...
Infelizmente, a Vida não imitou a Arte.
sexta-feira, agosto 10, 2007
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
... e do Bem, se algum houve, ficam as saudades --> bonito, muito bonito...
Ando chateado com a Vida... depois passa... mas agora estou chateado
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
... e do Bem, se algum houve, ficam as saudades --> bonito, muito bonito...
Ando chateado com a Vida... depois passa... mas agora estou chateado
quinta-feira, agosto 09, 2007
1. Primeiro leiam isto
2. Depois leiam isto:
Bravado
If we burn our wings
Flying too close to the sun
If the moment of glory
Is over before its begun
If the dream is won --
Though everything is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost
When the dust has cleared
And victory denied
A summit too lofty
River a little too wide
If we keep our pride --
Though paradise is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost
And if the music stops
Theres only the sound of the rain
All the hope and glory
All the sacrifice in vain
[and] if love remains
Though everything is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost
Neil Peart (Rush)
2. Depois leiam isto:
Bravado
If we burn our wings
Flying too close to the sun
If the moment of glory
Is over before its begun
If the dream is won --
Though everything is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost
When the dust has cleared
And victory denied
A summit too lofty
River a little too wide
If we keep our pride --
Though paradise is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost
And if the music stops
Theres only the sound of the rain
All the hope and glory
All the sacrifice in vain
[and] if love remains
Though everything is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost
Neil Peart (Rush)
quarta-feira, agosto 08, 2007
domingo, agosto 05, 2007
«Os homens nunca usaram totalmente os poderes que possuem para promover o bem, porque esperam que algum poder externo faça o trabalho pelo qual são responsáveis.»
John Dewey - este filósofo americano é um dos expoentes maiores da filosofia americana sobretudo na área da educação.
John Dewey - este filósofo americano é um dos expoentes maiores da filosofia americana sobretudo na área da educação.
Este gajo é um grande maluco - chama-se Richard Stallman é um dos fundadores do movimento do software livre. Curtam o vídeo...
quinta-feira, agosto 02, 2007
Mudo
As cortinas fecham
A luz do teu rosto
Deixa-te estar
No silêncio do escuro
Não quero-te ver
Nem sequer saber
Da tua ajuda
Quero estar sozinho
Em paz comigo
Deixa-me estar
Aqui calado
Deixa-me mudo...
Deixa-me estar
Aqui sem dizer nada
Deixa-me mudo
O ruído apodera-se
Das palavras que trazes
Deixa-te estar
No outro lado do muro
Não quero perceber-te
Ou mesmo receber
A tua ajuda
Quero estar sozinho
Em paz comigo...
Juan Miércoles
As cortinas fecham
A luz do teu rosto
Deixa-te estar
No silêncio do escuro
Não quero-te ver
Nem sequer saber
Da tua ajuda
Quero estar sozinho
Em paz comigo
Deixa-me estar
Aqui calado
Deixa-me mudo...
Deixa-me estar
Aqui sem dizer nada
Deixa-me mudo
O ruído apodera-se
Das palavras que trazes
Deixa-te estar
No outro lado do muro
Não quero perceber-te
Ou mesmo receber
A tua ajuda
Quero estar sozinho
Em paz comigo...
Juan Miércoles
sábado, julho 28, 2007
Sérgio Godinho - O Primeiro Dia
A principio é simples, anda-se sózinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
Pois é... a Oficina da Juventude do Miratejo fechou hoje
A principio é simples, anda-se sózinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
Pois é... a Oficina da Juventude do Miratejo fechou hoje
quinta-feira, julho 26, 2007
há-de flutuar uma cidade...
há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto
há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto
quarta-feira, julho 25, 2007
Don't dream, it's over...
There is freedom within, there is freedom without
Try to catch the deluge in a paper cup
There's a battle ahead, many battles are lost
But you'll never see the end of the road
While you're traveling with me
Hey now, hey now
Don't dream it's over
Hey now, hey now
When the world comes in
They come, they come
To build a wall between us
We know they won't win
Now I'm towing my car, there's a hole in the roof
My possessions are causing me suspicion but there's no proof
In the paper today tales of war and of waste
But you turn right over to the T.V. page
Now I'm walking again to the beat of a drum
And I'm counting the steps to the door of your heart
Only shadows ahead barely clearing the roof
Get to know the feeling of liberation and relief
Hey now, hey now
Don't dream it's over
Hey now, hey now
When the world comes in
They come, they come
To build a wall between us
Don't ever let them win
FIM... há pessoas que vivem numa narrativa aberta.
There is freedom within, there is freedom without
Try to catch the deluge in a paper cup
There's a battle ahead, many battles are lost
But you'll never see the end of the road
While you're traveling with me
Hey now, hey now
Don't dream it's over
Hey now, hey now
When the world comes in
They come, they come
To build a wall between us
We know they won't win
Now I'm towing my car, there's a hole in the roof
My possessions are causing me suspicion but there's no proof
In the paper today tales of war and of waste
But you turn right over to the T.V. page
Now I'm walking again to the beat of a drum
And I'm counting the steps to the door of your heart
Only shadows ahead barely clearing the roof
Get to know the feeling of liberation and relief
Hey now, hey now
Don't dream it's over
Hey now, hey now
When the world comes in
They come, they come
To build a wall between us
Don't ever let them win
FIM... há pessoas que vivem numa narrativa aberta.
terça-feira, julho 24, 2007
Oficina
A palavra “oficina” tem acompanhado o percurso da associação à qual presido: durante os últimos anos a Rato - ADCC tem desenvolvido um trabalho de formação e sensibilização para as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação na Oficina da Juventude do Miratejo (OJM).
Esta oficina vai encerrar temporariamente na próxima semana para passar para junto ao novo mercado do Miratejo. Foi fundamental que a Câmara Municipal tenha estado disponível para a criação do protocolo com a Rato – ADCC: a cedência de duas salas (uma sala administrativa e uma sala de formação) na Oficina permitiu à associação crescer exponencialmente na qualidade e quantidade da sua intervenção. Eu, enquanto Presidente da Rato – ADCC, tenho de agradecer à Vereadora responsável pelo pelouro da Juventude na altura - Corália Ribeiro - e aos técnicos da Câmara Municipal do Seixal que acreditaram no projecto. Também gostaria de agradecer aos técnicos de atendimento ao público na OJM que passaram a ser nossos “colegas”...
A palavra “oficina” contém uma ideia de produção. Uma oficina não é uma loja ou um balcão onde se oferece um bem ou serviço. Se traduzirmos a palavra conseguimos as palavras workshop (em inglês) ou atelier (em francês) o que nos ilustra ainda melhor o conceito de trabalho. Resumindo, uma oficina é um local onde se trabalha e o trabalho é, em última análise, um acto de transformação da realidade. Esta linha de argumentação pode ser conotada com uma visão marxista mas isso só me ajudará no apelo que quero fazer neste artigo.
Esta pausa na OJM pode marcar o início de um capítulo onde os equipamentos para a Juventude do Seixal poderão ser isso mesmo: locais onde as pessoas (e neste caso especial, os jovens...) podem produzir; mais do que receber, dar. E aqui há uma questão central: o acesso ao equipamento e o seu modelo de gestão – com o volume de atribuições e responsabilidades que têm sido atribuídas aos municípios, é difícil para a autarquia incutir uma dinâmica que cumpra a ideia de trabalho e produção. Para isso a Câmara tem de contar com as parcerias que tem com o Movimento Associativo, nomeadamente com as associações juvenis. E para que as organizações juvenis consigam ter uma relação produtiva, é necessário que o equipamento seja fruto da participação efectiva das organizações juvenis.
Este processo não é fácil mas é necessário que os responsáveis pelos novos equipamentos estejam conscientes que, por exemplo, é impensável que uma reunião de uma associação que não se possa prolongar por causa de um horário de funcionamento. O associativismo juvenil depende do tempo livre dos seus associados jovens que, mesmo estudando, só têm tempo depois do jantar ou no fim de semana. Esta incompatibilidade só pode ser resolvida com uma lógica diferente no modelo de gestão e de funcionamento dos equipamentos juvenis. A Câmara Municipal pode ser titular e proprietária do equipamento mas tem de pensar como uma estrutura em rede, promotora de parcerias onde o trabalho não depende de uma chave de um edifício...
Mas vou mais longe nesta reflexão: é uma questão de Justiça para as organizações juvenis haver um equipamento que tenha essa flexibilidade e que possa, dessa maneira, servir de espaço de trabalho. Tal como uma oficina. Pode não haver dinheiro para as sedes das associações juvenis, pode não haver dinheiro para uma casa da juventude e podem haver cortes nos apoios às estruturas juvenis mas tem de haver um espaço para que as estruturas juvenis tenham uma “bolha de oxigénio”.
Não podemos esperar que haja uso do equipamento quando este não se ajusta às necessidades dos jovens e das estruturas juvenis ou quando não há familiaridade com estes. Embora existindo um terreno fértil a novos projectos juvenis e que haja já um trabalho feito nesta área, não podemos ficar satisfeitos e temos de estar conscientes da urgência da abertura para estas “novas velhas” ideias...
Quero acreditar, e digo isto sem sarcasmo e cinismo, que os responsáveis políticos e técnicos pela orientação deste “novo” equipamento (a nova oficina da juventude do Miratejo) que ressurgirá brevemente, tenham a coragem de alterar regras institucionalizadas e adaptar às novas formas de participação e às necessidades específicas do concelho do Seixal.
Podemos fazer da “nova” oficina um sítio para reparar “novos velhos” males...
A palavra “oficina” tem acompanhado o percurso da associação à qual presido: durante os últimos anos a Rato - ADCC tem desenvolvido um trabalho de formação e sensibilização para as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação na Oficina da Juventude do Miratejo (OJM).
Esta oficina vai encerrar temporariamente na próxima semana para passar para junto ao novo mercado do Miratejo. Foi fundamental que a Câmara Municipal tenha estado disponível para a criação do protocolo com a Rato – ADCC: a cedência de duas salas (uma sala administrativa e uma sala de formação) na Oficina permitiu à associação crescer exponencialmente na qualidade e quantidade da sua intervenção. Eu, enquanto Presidente da Rato – ADCC, tenho de agradecer à Vereadora responsável pelo pelouro da Juventude na altura - Corália Ribeiro - e aos técnicos da Câmara Municipal do Seixal que acreditaram no projecto. Também gostaria de agradecer aos técnicos de atendimento ao público na OJM que passaram a ser nossos “colegas”...
A palavra “oficina” contém uma ideia de produção. Uma oficina não é uma loja ou um balcão onde se oferece um bem ou serviço. Se traduzirmos a palavra conseguimos as palavras workshop (em inglês) ou atelier (em francês) o que nos ilustra ainda melhor o conceito de trabalho. Resumindo, uma oficina é um local onde se trabalha e o trabalho é, em última análise, um acto de transformação da realidade. Esta linha de argumentação pode ser conotada com uma visão marxista mas isso só me ajudará no apelo que quero fazer neste artigo.
Esta pausa na OJM pode marcar o início de um capítulo onde os equipamentos para a Juventude do Seixal poderão ser isso mesmo: locais onde as pessoas (e neste caso especial, os jovens...) podem produzir; mais do que receber, dar. E aqui há uma questão central: o acesso ao equipamento e o seu modelo de gestão – com o volume de atribuições e responsabilidades que têm sido atribuídas aos municípios, é difícil para a autarquia incutir uma dinâmica que cumpra a ideia de trabalho e produção. Para isso a Câmara tem de contar com as parcerias que tem com o Movimento Associativo, nomeadamente com as associações juvenis. E para que as organizações juvenis consigam ter uma relação produtiva, é necessário que o equipamento seja fruto da participação efectiva das organizações juvenis.
Este processo não é fácil mas é necessário que os responsáveis pelos novos equipamentos estejam conscientes que, por exemplo, é impensável que uma reunião de uma associação que não se possa prolongar por causa de um horário de funcionamento. O associativismo juvenil depende do tempo livre dos seus associados jovens que, mesmo estudando, só têm tempo depois do jantar ou no fim de semana. Esta incompatibilidade só pode ser resolvida com uma lógica diferente no modelo de gestão e de funcionamento dos equipamentos juvenis. A Câmara Municipal pode ser titular e proprietária do equipamento mas tem de pensar como uma estrutura em rede, promotora de parcerias onde o trabalho não depende de uma chave de um edifício...
Mas vou mais longe nesta reflexão: é uma questão de Justiça para as organizações juvenis haver um equipamento que tenha essa flexibilidade e que possa, dessa maneira, servir de espaço de trabalho. Tal como uma oficina. Pode não haver dinheiro para as sedes das associações juvenis, pode não haver dinheiro para uma casa da juventude e podem haver cortes nos apoios às estruturas juvenis mas tem de haver um espaço para que as estruturas juvenis tenham uma “bolha de oxigénio”.
Não podemos esperar que haja uso do equipamento quando este não se ajusta às necessidades dos jovens e das estruturas juvenis ou quando não há familiaridade com estes. Embora existindo um terreno fértil a novos projectos juvenis e que haja já um trabalho feito nesta área, não podemos ficar satisfeitos e temos de estar conscientes da urgência da abertura para estas “novas velhas” ideias...
Quero acreditar, e digo isto sem sarcasmo e cinismo, que os responsáveis políticos e técnicos pela orientação deste “novo” equipamento (a nova oficina da juventude do Miratejo) que ressurgirá brevemente, tenham a coragem de alterar regras institucionalizadas e adaptar às novas formas de participação e às necessidades específicas do concelho do Seixal.
Podemos fazer da “nova” oficina um sítio para reparar “novos velhos” males...
sexta-feira, julho 20, 2007
"All my life I've been fearful of defeat. But now that it has come it's not near as terrible as I'd expected. The sun still shines, water still tastes good...glory is all well and good but life is enough, nay?"
Roma foi uma série do caraças...
Roma foi uma série do caraças...
sábado, maio 19, 2007
A Estrada – parte II
Sem querer fazer desta situação uma “telenovela”, gostava de pegar novamente no artigo “A Estrada” e na resposta que o mesmo artigo teve da parte Comissão Política de Secção da JSD do Seixal. Faço-o, não por ter necessidade em criar polémicas, mas por achar que é necessário discutir, sem receios e demagogias, as políticas de Juventude no concelho do Seixal.
“A Estrada” foi um artigo da minha autoria e publicado neste mesmo jornal e que originou uma resposta extensa da parte da JSD Seixal, justificando a sua opção pela sua campanha com um outdoor exigindo a alternativa à Nacional 10.
Olhando para trás e analisando aquilo que foi escrito por mim, o artigo tem, na sua substância, duas partes: 1) uma discordância em relação à escolha da acusação da JSD. Sou capaz de admitir que as palavras usadas por mim no artigo em referência possam conter alguma rispidez. De facto, há uma divergência ideológica entre aquilo que eu penso ser uma prioridade para o Concelho do Seixal e aquilo que a JSD considera ser uma prioridade. Não vou argumentar profundamente sobre a promessa não cumprida ou por cumprir. Nas campanhas eleitorais, todos os partidos fazem promessas – ao chegar ao Poder, umas cumprem-se, outras não. Promessas eleitorais são muitas vezes como cartas de amor – o Amor dá muitas voltas e a Política muitas mais. Não sejamos ingénuos: ainda está para surgir o partido que cumpre tudo o que promete. Atenção: não estou a desculpar o executivo da CDU ou a dizer que é correcto que eles não cumpram tudo o que prometeram. Não faço qualquer afirmação – estou sim a constatar um facto.
Claro que gostava que todos os partidos cumprissem tudo o que prometem e acho mal que não se cumpra o que se prometeu. Mas o cerne de “A Estrada”, em parte mal interpretado, não é esse.
É perfeitamente válido dizer que uma estrada é importante para todos os munícipes e que uma juventude partidária não deve unicamente lutar pelos direitos de um grupo etário concreto mas sim de todos os munícipes – concordo. É importante que se denunciem as promessas não cumpridas – também concordo. Ora a ideia no artigo não é essa: o busílis reside naquilo que eu considero ser a sua segunda parte – 2) a inexistência de uma agenda política para a área da Juventude. Na minha opinião, o problema coloca-se na escolha do tema do dito outdoor. Porque entre todas as promessas não realizadas pelo executivo da CDU, existem promessas na área da Juventude. Em vez de "Prometeram. Agora cumpram! Terminem a alternativa à Estrada Nacional 10", poderiam escrever "Prometeram. Agora cumpram! Construam a Casa Municipal da Juventude” ou "Prometeram. Agora cumpram! Abram o Centro de Recursos para a Juventude no Edifício Alentejo”. Simples…
As discussões políticas municipais tornaram o tema “Juventude” um assunto adiado: frequentemente, sinto-me um bocado palerma em escrever sobre isto porque não oiço ecos noutras vozes. Quando a JSD (sendo ela uma organização juvenil) coloca um outdoor sobre uma estrada, acaba por afirmar tacitamente o tema “Juventude” como secundário. Ora o tema não é secundário. Pelo menos, na minha modesta opinião, não é.
Acredito que esta situação não seja intencional da parte da JSD mas acaba-se por entrar num caminho repleto de lugares comuns e de palavras bonitas não passam disso mesmo. Considerava interessante que houvesse por exemplo um discurso político presente nesta área de todas as forças políticas no município e que houvesse uma mobilização para discutir. Os jovens são aptos para mais coisas do que carregar bandeiras de partidos... as juventudes partidárias poderão ser catalizadores dessa mesma discussão, correndo-se sempre o risco de vermos transportadas para este plano as tricas partidárias.
Para finalizar, gostaria de afirmar que o meu intuito neste artigo não é responder à resposta do JSD – foi um apelo sincero à criação de uma discussão produtiva nos actores partidários sobre o projecto político no concelho do Seixal para a Juventude. Não vale a pena chatearem-se – aquilo que eu penso ou escrevo não tira votos a ninguém…
Sem querer fazer desta situação uma “telenovela”, gostava de pegar novamente no artigo “A Estrada” e na resposta que o mesmo artigo teve da parte Comissão Política de Secção da JSD do Seixal. Faço-o, não por ter necessidade em criar polémicas, mas por achar que é necessário discutir, sem receios e demagogias, as políticas de Juventude no concelho do Seixal.
“A Estrada” foi um artigo da minha autoria e publicado neste mesmo jornal e que originou uma resposta extensa da parte da JSD Seixal, justificando a sua opção pela sua campanha com um outdoor exigindo a alternativa à Nacional 10.
Olhando para trás e analisando aquilo que foi escrito por mim, o artigo tem, na sua substância, duas partes: 1) uma discordância em relação à escolha da acusação da JSD. Sou capaz de admitir que as palavras usadas por mim no artigo em referência possam conter alguma rispidez. De facto, há uma divergência ideológica entre aquilo que eu penso ser uma prioridade para o Concelho do Seixal e aquilo que a JSD considera ser uma prioridade. Não vou argumentar profundamente sobre a promessa não cumprida ou por cumprir. Nas campanhas eleitorais, todos os partidos fazem promessas – ao chegar ao Poder, umas cumprem-se, outras não. Promessas eleitorais são muitas vezes como cartas de amor – o Amor dá muitas voltas e a Política muitas mais. Não sejamos ingénuos: ainda está para surgir o partido que cumpre tudo o que promete. Atenção: não estou a desculpar o executivo da CDU ou a dizer que é correcto que eles não cumpram tudo o que prometeram. Não faço qualquer afirmação – estou sim a constatar um facto.
Claro que gostava que todos os partidos cumprissem tudo o que prometem e acho mal que não se cumpra o que se prometeu. Mas o cerne de “A Estrada”, em parte mal interpretado, não é esse.
É perfeitamente válido dizer que uma estrada é importante para todos os munícipes e que uma juventude partidária não deve unicamente lutar pelos direitos de um grupo etário concreto mas sim de todos os munícipes – concordo. É importante que se denunciem as promessas não cumpridas – também concordo. Ora a ideia no artigo não é essa: o busílis reside naquilo que eu considero ser a sua segunda parte – 2) a inexistência de uma agenda política para a área da Juventude. Na minha opinião, o problema coloca-se na escolha do tema do dito outdoor. Porque entre todas as promessas não realizadas pelo executivo da CDU, existem promessas na área da Juventude. Em vez de "Prometeram. Agora cumpram! Terminem a alternativa à Estrada Nacional 10", poderiam escrever "Prometeram. Agora cumpram! Construam a Casa Municipal da Juventude” ou "Prometeram. Agora cumpram! Abram o Centro de Recursos para a Juventude no Edifício Alentejo”. Simples…
As discussões políticas municipais tornaram o tema “Juventude” um assunto adiado: frequentemente, sinto-me um bocado palerma em escrever sobre isto porque não oiço ecos noutras vozes. Quando a JSD (sendo ela uma organização juvenil) coloca um outdoor sobre uma estrada, acaba por afirmar tacitamente o tema “Juventude” como secundário. Ora o tema não é secundário. Pelo menos, na minha modesta opinião, não é.
Acredito que esta situação não seja intencional da parte da JSD mas acaba-se por entrar num caminho repleto de lugares comuns e de palavras bonitas não passam disso mesmo. Considerava interessante que houvesse por exemplo um discurso político presente nesta área de todas as forças políticas no município e que houvesse uma mobilização para discutir. Os jovens são aptos para mais coisas do que carregar bandeiras de partidos... as juventudes partidárias poderão ser catalizadores dessa mesma discussão, correndo-se sempre o risco de vermos transportadas para este plano as tricas partidárias.
Para finalizar, gostaria de afirmar que o meu intuito neste artigo não é responder à resposta do JSD – foi um apelo sincero à criação de uma discussão produtiva nos actores partidários sobre o projecto político no concelho do Seixal para a Juventude. Não vale a pena chatearem-se – aquilo que eu penso ou escrevo não tira votos a ninguém…
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