segunda-feira, abril 30, 2012

Acordar



Há uma máxima que se tornou uma verdade de La Palisse e é conhecida por todos: “Não dês um peixe, ensina-o a pescar!” A grande maioria das pessoas iria concordar com esta frase sem qualquer hesitação - em parte, ela baseia-se na esperança de que todos os seres humanos são iguais e que o ambiente que o envolve determina a sua condição económica. A verdade é que todos, enquanto seres humanos, temos direito ao peixe - é tudo uma questão de direitos humanos.

Lembrei-me desta frase quando ouvi o hino do movimento Zero Desperdício [ver mais em http://www.zerodesperdicio.pt/ ] lançado pela associação Dariacordar [ver mais em http://www.dariacordar.org/ ] - esta associação visa acabar com o desperdício criando um sistema de distribuição de refeições que estão quase a ficar fora de prazo para quem precisa. O texto para este hino foi escrito por Tim dos Xutos e Pontapés começa da seguinte maneira: “Eu não sei o teu nome | Mas sei que te posso ajudar | Sei que andas a passar fome | mesmo andando a trabalhar.”

Peço-lhe que leia a quadra anteriormente citada novamente.

OK - Continuemos: “O que eu não aproveito | Ao almoço e ao jantar | A ti deve dar jeito | Temos de nos encontrar... E acordar...”

Leu o mesmo que eu li?

Há considerações sobre o bom senso (ou a falta dele...) nas palavras deste hino: “Sei que andas a passar fome mesmo andando a trabalhar” - Trabalhas mas passas fome... é a Vida! Mas que raio de sociedade deixa as pessoas que trabalham passar fome? Que raio de sociedade na União Europeia deixa pessoas que trabalham passar fome? É assumir resignadamente a injustiça e que as virtudes do mérito são uma ilusão.

Mas o pior continua: “O que eu não aproveito, ao almoço e ao jantar. a ti deve dar jeito...” - estas pessoas que passam fome mesmo trabalhando são dignas de comer restos...

Aceito que o que acabo de escrever é uma interpretação do hino - a intenção das pessoas pode ser boa mas reflecte uma mentalidade, consequentemente, uma ideia política: se pensarmos sobre o que o Tim escreveu, somos obrigados a concluir que há uma visão que sustenta muitos projectos e intervenções sociais. Se os problemas foram feitos para ser resolvidos também é importante pensar que os problemas podem ser prevenidos. Há muitas pessoas que pensam que a intervenção social serve para colmatar os problemas já existentes - o dilema é simples: a priori ou a posteriori, a montante ou a jusante, antes ou depois...

É mais fácil mobilizar a força colectiva das pessoas quando os problemas são visíveis e urgentes. O sucesso de movimentos como Banco Alimentar contra a Fome ou do Live Aid (e muito provavelmente do projecto Zero Desperdício...) vem daí - dá um pacote de arroz ou ajudas a carregar uma saca de batatas e o problema está resolvido. Parece tão fácil.

Ora... o problema é maior e estrutural e implica uma visão estratégica: é necessária uma antevisão dos problemas mas mesmo quando a sabedoria popular diz “Prevenir é melhor do que remediar”, a realidade acaba por ser “Casa arrombada trancas à porta!”...

Solidariedade social não é caridade. Políticas sociais para pobres são pobres políticas sociais e quando se pensam intervenções sociais para os coitadinhos o que se faz é pôr o rapazinho com o dedo no buraco do dique para que a água não entre.

Depois de ter reflectido sobre este “acordar”, lembrei-me de outro “acordar” - neste caso específico, o poema “acordai” de José Gomes Ferreira... fica um excerto:
“[...] Acordai | acordai | raios e tufões | que dormis no ar | e nas multidões | vinde incendiar | de astros e canções | as pedras do mar | o mundo e os corações”

segunda-feira, abril 02, 2012

Baza, baza...


O governo encontrou a estratégia ideal para resolver o problema do desemprego: emigrem! É uma solução para a vaga de desempregados jovens que querem entrar no mercado de trabalho e encaram o panorama marcado por desemprego e precaridade.

Várias considerações foram feitas sobre esta solução em diferentes meios da comunicação social por diferentes cabeças pensantes deste país. Não queria rebater muito o assunto - queria deixar a minha opinião e conduzir a uma reflexão muito própria sobre este tópico.

O governo tem afirmado em diferentes momentos de comunicação ao País que uma solução aos desempregados qualificados é saírem de Portugal e encontrarem uma solução profissional no estrangeiro. Isto é um erro que vem detrás e vai custar muito a médio e longo prazo - investimos dinheiro em pessoas para depois mandarmos elas para outros países. Por outro lado, para o relançamento da economia Portuguesa, especialmente se pensarmos que a nossa economia está enquadrada no espaço da União Europeia, precisamos de pessoas qualificadas para serem elas próprias os empreendedores deste mesmo processo de recuperação económica. Quando o comandante diz aos passageiros de um barco para abandonarem o barco, sabemos que o barco está prestes a ir ao fundo...

Mas a emigração nem sempre é uma coisa má. Pessoas são diferentes e, frequentemente, o sítio onde gostam de estar não tem de ser o mesmo que o sítio onde nasceram. A mobilidade das pessoas é motivada por muitas outras coisas que não seja dinheiro. No meu trabalho, encontrei muitos estrangeiros que decidiram fazer a sua vida em Portugal e fizeram-no por muitas e diferentes razões mas pouquíssimas vezes alegaram que foi pelo chorudo ordenado que iriam receber em Portugal.

As pessoas têm de estar onde se sentem bem e as pessoas, quando se sentem bem, são mais produtivas. E não são só mais produtivas - têm iniciativa. Frequentemente não entendem as convenções sociais, questionam-nas, denunciam o erro e promovem a mudança. É bom ter estrangeiros destes: é chato mas é bom - acreditem em mim...

Mas há outro aspecto importante na mobilidade: a aprendizagem. Programas ligados à Aprendizagem ao Longo da Vida (Erasmus, Leonardo Da Vinci ou Juventude em Acção...) consistem em oportunidades de mobilidade e que podem dar uma possibilidade de aprendizagem e qualificação. Conhecer outras realidades sociais e culturais é uma via qualificadora para a inserção e/ou reinserção profissional.

Quando falamos especificamente do problema do desemprego juvenil, existem diversos programas europeus que constituem oportunidades que são, geralmente, desaproveitadas pelos jovens Portugueses.

Mas estas oportunidades não são um convite à emigração - são a consciencialização que existe uma globalização (boa ou não isso é outra conversa...) e que especificamente Portugal está integrado (bem ou mal isso é ainda outra conversa...). Está na altura dos jovens portugueses perceberem que “Quem pensa k'esta merda é fácil enganou-se … Abre a pestana, tana... Isto aki não é um filme, boy” Boss AC dixit

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Coquetel Molotov


Neste último artigo de 2012, queria deixar uma mensagem de esperança. Não sou uma pessoa adequada para o fazer porque 1) sou considerado como uma pessoa pessimista e 2) tenho muito pouca fé no poder das palavras. As palavras são manipuláveis e, cada vez mais, não expressam uma acção ou uma realidade. Nem sequer processos de boas intenções...

Mas gostaria de deixar na mesma uma mensagem de paz e esperança, adequada às festividades desta época. Por isso vou escrever um artigo sobre a invenção do Coquetel Molotov!

O coquetel Molotov foi inventado pelos finlandeses aquando da invasão da União Soviética a este país em 1939. Perante a falta de recursos militares para parar a ofensiva do gigante miltar soviético, os finlandeses criaram esta arma, baptizando-a com o nome do Comissário para as Relações Externas da URSS, Vyacheslav Molotov. Mesmo perante o poderio militar dos soviéticos, o engenho dos finlandeses impediu a ocupação deste país que hoje é um dos mais desenvolvidos da União Europeia.

Lembrei-me do coquetel Molotov, quando assisti, no âmbito da Feira Social de Corroios, à celebração do primeiro aniversário da Loja Social de Corroios. Este é um espaço que visa apoiar famílias carenciadas da Freguesia de Corroios com bens de diversos tipos, de forma a suprir as suas maiores necessidades. Este projecto está ligado por sua vez a outras iniciativas como o Banco do Tempo ou a acções de formação Pro Emprego.

A Loja Social de Corroios é um projecto muito simples (tal como o coquetel Molotov...), com objectivos muito simples e cuja implementação foi fácil. Se pensarmos na sua fórmula, parece quase como um pudim instantâneo (mais uma vez, tal como o coquetel Molotov...).

Porém a concretização deste projecto, depende de alguns factores mas o que gostaria de salientar neste projecto é a importância da participação cívica das pessoas e das organizações em parceria para a resolução dos problemas das pessoas. Mas mais do que resolver, iniciativas como a Loja Social e o Banco do Tempo assentam numa abordagem proactiva das políticas sociais onde o cidadão tem um papel fundamental.

Porém não se ganham guerras com coqueteis Molotov... os finlandeses sabiam que podiam travar temporariamente os soviéticos mas não para sempre... em 1940, os dois países assinam um tratado de paz, havendo a cedência para a URSS de parte do território finlandês.

O mesmo se aplica às políticas sociais - os que defendem o voluntariado como uma solução low cost exclusiva para todos os problemas sociais estão profundamente enganados. É preciso um exército treinado e com armas para ganhar uma guerra. Se não existem recursos infra-estruturais , legais, logísticos ou humanos... as políticas sociais não irão surtir efeitos, tanto a curto como a longo prazo. No entanto, é fundamental para sustentabilidade das estruturas de apoio social que hajam projectos assentes na participação activa dos cidadãos.

Para finalizar, gostaria de desejar a todos os leitores, um 2012 cheio de coragem e vontade de viver. Até para o ano - falta pouco!

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Erasmus para quem?


Foi apresentado em Novembro a proposta da Comissão Europeia com o nome “Erasmus para todos” para as áreas da educação, formação, juventude e desporto - este programa visa substituir os actuais programas "Erasmus", "Leonardo da Vinci", "Comenius", "Grundtvig" e "Juventude em acção" e tendo o seu início previsto para 2014.

Muitas pessoas na área da Juventude, nomeadamente com o Programa Juventude em Acção, ficaram desapontados e revoltados com a proposta - a forma como estão redigidos secundariza (ou ignora, de acordo com a perspectiva...) o papel das organizações juvenis e da Aprendizagem Não Formal. A própria escolha do nome sublinhou esta tendência, destacando o programa Erasmus que visa a mobilidade de estudantes universitários - a justificação do nome centra-se no facto da notoriedade do nome ligado à aprendizagem e à cooperação europeia e ao ter um único pretende-se que haja uma maior capitalização do reconhecimento do investimento da Comissão Europeia neste domínio.

As palavras da comissária europeia responsável pela Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude acabam por dar essa ideia: “O investimento na educação e na formação é o nosso melhor investimento para o futuro da Europa. Estudar no estrangeiro potencia as competências das pessoas, o seu desenvolvimento pessoal e a sua adaptabilidade, fazendo com que tenham mais possibilidades de emprego. Queremos assegurar que um número bastante maior de pessoas venha a beneficiar de apoio da UE para aceder a estas oportunidades. Também temos de investir mais para melhorar a qualidade da educação e da formação a todos os níveis, de modo a podermos competir com os melhores do mundo e a criar mais emprego e maior crescimento.

Não há uma referência à palavra “Juventude”.

A actualidade europeia é marcada pela crise das dívidas soberanas e dificilmente se apostam em conceitos como participação cívica ou empoderamento dos jovens não passam de palavras bonitas - os que decidem (políticos, tecnocratas e banqueiros...) não se identificam com isto. A democracia participativa só é boa quando gera novos negócios. It’s all about the money...

Mas verdade seja dita, fala-se em Juventude neste programa porque se quer combater o desemprego juvenil. E como combate-se o desemprego? Através do “investimento na educação e formação é a chave para libertar o potencial das pessoas, independentemente da sua idade ou formação.”
A questão aqui é onde nos formamos e nos educamos - e a Comissão Europeia responde implicitamente que esta aprendizagem é feita primordialmente nas Universidades e no ensino formal. Ora isto não é verdade. A aprendizagem é feita de diferentes saberes e realizada em diferentes espaços, contextos e actores.

O trabalho em domínios da Juventude e da Aprendizagem Não Formal é desconsiderado e aqui a primeira coisa que tem que se fazer perante “Erasmus para Todos” é reflectir: reflectir sobre a visibilidade e o impacto deste trabalho; reflectir como tantos processos de sensibilização para as questões ligadas à área da Juventude desenvolvidos por tantas estruturas europeias e nacionais resultaram neste retrocesso; reflectir como o impacto do trabalho de tantas organizações juvenis acaba por ser menorizado. Este programa não é para todos tal como é dito no título... só falta saber para quem...

domingo, dezembro 25, 2011

Livro cor de burro quando foge


No passado dia 2 de Novembro, a Secretaria de Estado do Desporto e Juventude lançou a Plataforma Online – Livro Branco da Juventude. De acordo com o texto no sítio na Internet, “pretende-se elaborar um Documento a nível nacional que defina uma Estratégia Global e um plano de acção na área da Juventude.”

Soa bem, não soa? Mais épico se torna quando se escreve mais à frente: “Pretende-se ainda que, deste Livro Branco haja de facto consequências práticas e que seja um virar de página no que às políticas de juventude diga respeito em Portugal.” Quase que ouvimos o Vangelis...

Mas a música do Vangelis fica ultrapassada e passamos a ouvir uma ópera bufa quando lemos a mensagem de Alexandre Mestre, o Secretário de Estado de Desporto e Juventude. Vou pôr algumas passagens:

1) “Raríssimas são as vezes em que a tónica [sobre os jovens] é positiva. Recentemente só me recordo de duas situações: o ter-se apelidado a selecção de sub-20 de futebol como a “geração coragem” e o ter-se escolhido “geração com esperança” enquanto lema do último Encontro Nacional de Juventude.”

Ora se a primeira premissa [a tónica sobre os jovens] corresponde à realidade, a forma como o Secretário de Estado exemplifica as situações supostamente positivas revela uma falta de conhecimento e sensibilidade sobre a área política da Juventude por serem escassas e superficiais - nota-se que ele não sabia o que escrever - não é a área dele... Porém, todos nós dizemos disparates e os titulares de cargos públicos não são diferentes - sejamos tolerantes então e continuemos com a leitura.

2) “Entendo ainda como grave e perigoso criar-se na esfera dos Jovens a convicção de que “tudo está mal” e de que há um “Nós” (Jovens) e um “Eles” (Governos), responsabilizando-se exclusivamente estes.”

A armadilha hipócrita nesta argumentação visa desresponsabilizar o “Eles” e empurrar esta responsabilidade para o “Nós”. A verdade a que o senhor Secretário de Estado não quer reconhecer é que o investimento na área da Juventude tem sido escasso e que o papel dos jovens na Sociedade tem sido desvalorizado. Eles têm uma grande responsabilidade que está mal e há mesmo muita coisa que está muito mal. Não vamos maquilhar a realidade - se o mote deste governo é falar a verdade que assim seja para “Eles” e para “Nós”. Para todos. A esta altura da leitura do texto do senhor Secretário de Estado, começo a ficar confuso com as suas ideias.

3) “O “Nós” inclui Jovens e Governos, em conjunto. Com a “liberdade” e a “certíssima esperança” a que alude Luiz Vaz de Camões, nos “Lusíadas”, na dedicatória que fez ao Rei D. Sebastião. Só aí devemos cultivar o “Sebastianismo”. De outro modo, enganamo-nos e perdemos todos: o Estado não pode ser o “Desejado”, o único, de quem tudo se espera.”

Há-de haver alguém, que algum dia, assuma responsabilidade. Pelo que escreve, não vai ser certamente Alexandre Mestre. É a primeira vez que vejo alguém a utilizar Camões para justificar as insuficiências estruturais políticas na área da Juventude. Basicamente, o que Alexandre Mestre diz é: “Chama-me Pai, mas não me peças dinheiro!”

Então utiliza um truque comum nos políticos modernos...

4) “Face ao exposto, entendeu o Governo ser seu dever espoletar a elaboração de “Livro Branco para a Juventude”, de que a presente plataforma digital é uma ferramenta essencial. Aqui, com abertura, participação, responsabilidade, eficácia e coerência, todos, mas todos, poderão, deverão mesmo, ser agentes da mudança.”

O truque é simples: vamos pôr todos a falar... fazemos de conta que ouvimos e depois vamos fazendo umas coisas para enfeitar... porque o tópico político Juventude, na verdade, é secundário.

Durante estes anos, as entidades ligadas à área da Juventude - públicas e privadas - despejaram tanta informação, tantas recomendações - sabe-se o que se tem de fazer e como fazer. As palavras diálogo e participação estão envenenadas e despojadas de conteúdo. Tornaram-se um lugar comum para a promoção da impotência dos cidadãos - não queremos que eles fiquem quietos, por isso vamos pô-los a falar... é frustrante depois de tantos anos, tratarem os jovens e aqueles que trabalham nesta área como se fossem burros, pondo uma cenoura de borracha mal pintada.

Quando estamos nisto alguns anos e vemos determinadas pessoas com promessas de mudança, criamos um cinismo inibidor da real vontade de mudar as coisas. Mudar o Mundo passa por mudarmos pequenas coisas em nós e na Sociedade. Estes livros não são brancos - são da cor de um burro quando foge. E nesta altura do campeonato, só somos burros se quisermos...

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Cortar... colar!



No início do frenesim dos cortes e das poupanças, a caça às gorduras do Estado começou pelo elo mais fraco: a Juventude. Elementar, meu caro Watson!

No dia 4 de Agosto, o Conselho de Ministros comunicou a criação do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), fundindo o IPJ (Instituto Português da Juventude) e o IDP (Instituto do Desporto de Portugal). Nesta lógica, lembraram-se em extinguir a Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação (FDTI).

Para quem não conhece, a FDTI é uma fundação pública que desenvolve um trabalho na área da formação e qualificação no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação. Articulando-se com o IPJ, o FDTI foi responsável pela alfabetização digital de muitos portugueses. Confesso que não sou um fã dos cursos do FDTI - no entanto, reconheço o trabalho meritório que tem sido desenvolvido ao longo destes anos da sua existência. Milhares de formadores que estiveram e estão ligados a esta instituição foram, com mais ou menos sucesso, responsáveis pela introdução de muitas pessoas no Mundo da Informática.

Ao extinguir o FDTI, o governo poderá poupar dinheiro (o que é questionável...) mas o trabalho que o FDTI faz, terá que ser obrigatoriamente feito. Portugal é um país que pode ter muitos telemóveis e muita banda larga mas, em rigor, somos um país atrasado no domínio das literacias digital e mediática. Quem trabalha no terreno, vê a infoexclusão como um problema real e cada vez maior dado que há cada vez mais solicitações na vida de um cidadão para a utilização de um computador ligado à Internet... mesmo que ele não goste da ideia ou não queira. Não há recusa possível - o Mundo moderno assim o obriga.

Há uma falta de conhecimento na população Portuguesa na utilização de um computador e das potencialidades que esta tecnologia em áreas como a Educação, a Cidadania, Empreendedorismo ou Empregabilidade. O computador é mais do que uma máquina de jogos e a Internet é mais do que ver as fotos do amigo no Facebook.

Há um trabalho a ser feito e alguém tem de o fazer. Mais tarde ou mais cedo - quando houver dinheiro - vão criar uma estrutura ou um mecanismo para desenvolver esta tarefa hercúlea. A extinção do FDTI é um exemplo de um corte cego - posso aceitar que se fizessem alterações à sua estrutura, a moldura legal, as estratégias de intervenção... mas a sua missão faz sentido para tornar o país mais informado, mais competitivo, mais eficiente... em suma, mais capaz para enfrentar os problemas da Globalização e assim ultrapassar estruturalmente a crise.

Em informática, há uma diferença entre eliminar e cortar - no primeiro caso, elimina-se. Com a operação “cortar”, tira-se para depois colar. Perante a pertinência e urgência da alfabetização digital dos Portugueses, só nos resta responder à seguinte pergunta: “Cortámos com o FDTI... então aonde colamos as suas atribuições e competências?”

sábado, novembro 05, 2011

A chave portuguesa



Queria começar este artigo com uma história do meu Pai: ele, nos anos 60, trabalhava na Siderurgia Nacional como serralheiro civil e, a uma certa altura, viu-se confrontado com uma situação de trabalho que passava por desempenar umas escadas - para o fazer retirou um martelo.

Partilhava o local de trabalho com alguns operários de nacionalidade alemã e perante esta tarefa, os alemães detiveram o meu pai e disseram “Vamos fazer isto de uma forma diferente”: assim pegaram um maçarico e desempenaram as escadas, aquecendo o metal e arrefecendo rapidamente despejando água. A solução dos alemães revelou-se mais eficiente. O martelo, na gíria dos operários, era designado como a chave portuguesa - serve para tudo, arranja tudo nem que seja à pancada.

Este episódio é uma alegoria sobre os problemas estruturais de Portugal e levaria a muitas discussões. Em Portugal, usamos martelos para tudo - para pregos, parafusos, pessoas... um martelo é encarado como uma ferramenta muito prática e versátil - o interface é amigável e a técnica para a sua utilização requer muito pouca formação. Desta forma, há muita boa gente que acha que uma mala de ferramentas pode-se resumir a um martelo e pouco mais...

Ora, a lógica do martelo aplicou-se à fusão do IDP (Instituto de Desporto de Portugal) e do IPJ (Instituto Português da Juventude) que são dois institutos distintos com áreas diferentes mas aparentemente semelhantes. Desporto e Juventude são áreas distintas mas que congregadas geram uma falácia terrível: a ideia que Desporto é Juventude e que a intervenção na área da Juventude se pode resumir ao apoio a actividades desportivas diversas. Há um carácter quase industrial em todas as actividades desportivas mexendo com muitas pessoas, recursos e dinheiro: o Desporto tem um impacto mediático enorme, em especial o Futebol. Há associações desportivas que põem políticos e governantes em sentido! Isso não acontece na área da Juventude...

As especificidades da área da Juventude são muitas mas a mais importante delas todas assenta no carácter estratégico. O trabalho na área da Juventude desperta nos jovens sentido de iniciativa e participação que inspira, por sua vez, uma cidadania activa e empreendedorismo. É simples: o seu impacto é palpável mas não é reconhecido. Este impacto nao resulta nas revistas sociais: ainda não vi um dirigente ou animador juvenil com uma namorada como a do Cristiano Ronaldo. É triste mas é verdade!

Perante a força do Desporto, é previsível um esmagamento da área mais fraca justificada com a ideia de que se podem juntar dois institutos: porque havemos de ter um maçarico se temos um martelo - é a mesma coisa! Esta é uma linha de pensamento ideológico de Direita que defende o slogan “Menos Estado, Melhor Estado” - nesta questão só falta saber menos aonde, melhor no quê...

A fusão de institutos vai implicar investimento no processo de restruturação e consequentemente ineficiência no serviço público - não faz mal: a mediocridade do Estado servirá para justificar mais cortes. Mas a verdade é que o problema central vai ser que o martelo do Desporto vai substituir o maçarico da Juventude. Afinal de contas, um martelo tem muita força, é uma ferramenta barata e tipicamente Portuguesa. É com certeza!

domingo, agosto 28, 2011

Fantasias Europeias II: os gordos da Europa


Angela Merkel, em plena campanha para as eleições regionais da Alemanha, lembrou-se de afirmar que a idade da reforma e os períodos de férias deveriam ser iguais em toda a Europa, numa crítica directa ao estatuto dos Gregos, Espanhóis e Portugueses. Embora todos vissem que isto era uma manobra demagógica - até os próprios alemães - Angela Merkel sabia que tinha de dizer isto em território germânico - ficava-lhe bem. Da mesma forma que Paulo Portas denuncia os abusos do rendimento social de inserção, Angela Merkel ataca os Países do Sul - é tudo uma questão de cadeia alimentar...

Há um acrónimo que identifica os membros mais pobres da zona Euro - PIGS: Portugal, Itália, Grécia e E(S)panha. PIGS - nós somos os porcos da Europa. Um porco é um animal associado a um estereótipo de gula e sujidade. Nas declarações de Angela Merkel, está implicíta a ideia de laxismo e preguiça dos “porcos” da Europa, sendo a riqueza da Europa produzida pelos Estados Centrais da União Europeia, nomeadamente pela Alemanha. Quando pensamos na Alemanha, vem-nos à cabeça ideias como organização... trabalho... riqueza... o oposto daquilo que se pensa quando falamos sobre Portugal - um país gordo como um porco!

No canal televisivo SIC, surgiu um reality show que se baseia num concurso onde pessoas com excesso de peso que concorrem para perder o máximo de peso, estando em concorrência no combate à obesidade - o título em inglês ilustra a ideia do programa e que me faz reflectir sobre os problemas estruturais que Portugal enfrenta neste momento: The biggest loser (O maior perdedor).

Para os restantes europeus, os Portugueses são os gordos da Europa - aqueles que não trabalham e que consumiram demasiadas calorias. Aqueles que têm que trabalhar mais o físico e comer menos - uma visão simplificadora. Ou simplista...

Ora, o problema da obesidade resolve-se de muitas maneiras mas sabe-se que há muitos mitos sobre esta questão. E entre esses mitos os que predominam e prevalecem são as dietas rápidas que normalmente têm um resultado inverso - aumenta-se de peso. Por outro lado, o que é mais importante perder peso ou deixar de fumar? Perder peso é importante e o excesso de peso provoca outros problemas mas qual é a importância deste problema comparando com outros problemas... ser gordo é ter uma doença terminal?

O mesmo se aplica aos diversos desequilíbrios económicos de um País - podemos comer menos (cortar na despesa...) ou comer melhor (apostar no investimento reprodutivo...), fazer exercício físico (pôr a economia mais activa e produtiva). Tudo depende do País tomado na sua perspectiva global, sendo que há muitos factores que concorrem para a resolução do problema do défice externo e da dívida pública: a geografia, a história, os recursos naturais, a população, o sistema educativo... tanta coisa.

Por exemplo: eu sou gordo e sei que tenho de emagrecer mas sei que isto implica força de vontade e consequente trabalho. Porém... Sei que para resolver este problema preciso de tempo. E o mesmo se aplica a Portugal...

O problema é que Portugal não tem tempo... relaxou, desde o tiro de partida desta corrida (entrada para a então Comunidade Económica Europeia) e agora tem de recuperar o tempo perdido rapidamente. Ou seja: Portugal tem de fazer a dieta de Duncan!

Há outra alternativa? Haver, há... mas os portugueses têm optado democraticamente por esta via que estamos a atravessar... por isso, em rigor, nao nos podemos queixar porque chegámos a um ponto onde só se engana quem se quer enganar - está na hora de suar!

quinta-feira, agosto 25, 2011

Anarchy in the UK


Foi quase impossível para muita gente não fazer a associação entre os motins no Reino Unido e a música dos Sex Pistols “Anarchy in the UK”. Só pelo título da música é fácil estabelecer os paralelismos entre o tema da banda punk britânica e os eventos que invadiram os meios de comunicação social durante o mês de Agosto. Embora não fosse um fã incondicional - quando era miúdo achava piada... - hoje olho para esta música com um caracter profético sobre a realidade dos motins. Gostaria então de citar a primeira quadra:

1) I am an anti-christ [Eu sou um anti-cristo] | I am an anarchist [Eu sou um anarquista] | Don't know what I want but I know how to get it [Não sei o que eu quero mas sei como o alcançar] | I wanna destroy the passer by [Eu quero destruir o transeunte]....

Esta música foi escrita em 1976 e tem uma actualidade incrível! Entre a visão do “bom selvagem” e do “mau malandro”, os Sex Pistols escreveram e interpretaram uma canção que define muito bem o nihilismo moderno. Porque vivemos uma sociedade racional assente na ideia sistémica e holística que todos os fenómenos têm de ter uma explicação lógica, é difícil realmente compreender o que se passou para ter ocorrido os motins em várias cidades no Reino Unido. Nenhuma ciência é verdadeiramente exacta e mesmo que existisse um tratado epistemológico das massas em fúria na actualidade, existiriam várias explicações para este tipo de fenómenos... mas há uma explicação que tem escapado a muitos analistas - a violência não se justifica, a violência, muitas vezes, é. Quando estamos frustrados com o Mundo, a violência parece ser a única solução - estamos possuídos, não pensamos - porque precisamos de um escape para a raiva que o quotidiano de exigências, incompreensões, desentendimentos e falhanços. A violência que assistimos no Reino Unido não tem justificações válidas porque violência não merece compreensão mas merece entendimento esclarecido para a sua resolução sustentável.

2) Anarchy for the U.K it's coming sometime and maybe [Anarquia no Reino Unido, vai acontecer algum dia e talvez] | I give a wrong time stop a traffic line [Eu dou uma travagem errada na fila de trânsito] | your future dream is a shopping scheme [ O teu futuro de sonho é um esquema comercial]

How many ways to get what you want [Quantas maneiras para ter o que tu queres] | I use the best I use the rest [Eu uso a melhor eu uso o resto] | I use the enemy ,I use anarchy [Eu uso o inimigo, eu uso a anarquia]

Estes motins não tinham ideologia - declarámos a morte a Deus, às ideologias e aos valores. Não somos de direita nem de esquerda. Somos por nós próprios. Somos pelas nossas necessidades e desejos individuais. Eu quero ter, eu tenho que ter... eu tenho direito a ter. A palavra “não” não existe. Gordon Gecko tinha razão... “greed is good”. A garganeirice (como a minha mãe chama...) é o valor maior dos dias de hoje. E o que se viu naqueles motins foi basicamente isso - garganeirice.

Is this the M.P.L.A [Isto é o M.P.L.A.] | Or is this the U.D.A [Ou isto é o U.D.A.] | Or is this the I.R.A. [Ou isto é o I.R.A.] I thought it was U.K. [Eu pensava que era o Reino Unido ou um outro país]...

Outro problema central na análise dos motins no Reino Unido é pensar que este problema é um problema inglês. Não é um problema geográfico ou cultural - é um problema do paradigma socioeconomico. As sociedades modernas criam a ilusão da abundância pelo mérito mas as sociedades (por serem compostas por seres humanos) são naturalmente injustas e promotoras de desigualdades - o mercado e o mérito são criações abstractas para quem quer manter-se por cima. Os motins do Reino Unido são um problema do Capitalismo, que como o Socialismo soviético, não quer perceber os problemas e consequentemente não quer criar soluções sociais e económicas para a resolução de um problema que é complexo, reflexivo e mutante.

A resolução mais fácil é a força - esmagam-se os motins na rua, colocam-se mais polícias, com mais equipamento. Resolve-se o problema a jusante e esquece-se o futuro. Só que o problema adormece mas depois acorda e entramos numa espiral em que teremos de ter um polícia para cada cidadão.

O problema é que um polícia custa dinheiro. Custa muito dinheiro. E ao comparar os preços, vemos que prevenir é mais barato. É mais barato mas mais difícil.

E para finalizar...) Get PISSED DESTROY! [Fica chateado, Destroi!] - ora foi o que eles fizeram...

terça-feira, julho 26, 2011

Onde está o Wally?

Antes de começar a escrever este artigo de opinião, eu tinha em mente uma outra ideia. Mas ontem estava na praia (um bom local para pensar sobre estas coisas da Política...) e lembrei-me de fazer esta pergunta a mim próprio: “Quem é o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto ?”

O leitor que, neste preciso momento, está a ler esta crónica, sabe qual é o Secretário de Estado do Desporto da Juventude? Se não sabe, não tenha vergonha: eu também não sei - já somos dois e podemos partilhar solidariamente a nossa condição de ignorantes.

Mas no meu caso, eu deveria ter vergonha - tenho trabalhado há mais de 15 anos na área da Juventude e tenho sido um defensor do reforço das políticas de Juventude e da valorização das organizações de Juventude. Mas era mesmo importante para mim saber quem era o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto? Não sei.

Porque, se por um lado, é importante saber quem é a pessoa que vai conduzir este domínio político, por outro, o papel da administração central sempre foram uma terra de ninguém onde normalmente se coloca um delfim. Com o reforço das indústrias do desporto, a realidade é que os agentes que estão no domínio político da Juventude sentem que este Secretário de Estado não é Secretário de Estado da Juventude e do Desporto mas sim Secretário de Estado do Desporto da Juventude.

É uma grande tendência estrutural num País que quer pão e circo e que as grandes corporações dominam as agendas políticas consoante os seus interesses. Quem está no terreno, vê estas mudanças políticas como alguma indiferença. É como se pegássemos num livro da famosa série “Onde está o Wally?” e perguntássemos a nós próprios: será mesmo importante saber onde está o Wally? Ficamos mais cultos ou inteligentes ou será que é só um passatempo?

Qual é a importancia que este Secretário de Estado vai ter na vida dos jovens e das organizações? Será que ele vai fazer diferença? Não sei... mas tenho muitas dúvidas. Não pelo senhor que eu nem sei quem é... não pelos partidos... não pelos técnicos que trabalham na Secretaria de Estado e no Instituto Português da Juventude. As políticas de Juventude, em vez de se assumirem com um papel maior e liderante, diluem-se nas áreas da Educação, do Desporto, da Cultura... e pergunto-me: faz sentido haver uma Secretaria de Estado da Juventude? Ou faz sentido haver sectores de Juventude nas Câmaras? Eu, honestamente falando, não sei a resposta para esta questão. Não sei... e sei que há muitas pessoas que também não o sabem apesar de dizerem o contrário.

Quem está cá em baixo sente que começa a ser irrelevante esta dança de cadeiras. O Wally está lá mas é só para sabermos que está lá e nada mais.

P.S.: Depois de ter escrito o artigo, fui à Internet... procurei bem... e já sei quem é o Secretário de Estado da Juventude da Juventude e do Desporto! Chama-se Alexandre Mestre e, de acordo com o Semanário Sol, é “um jurista especializado em Direito Desportivo e passa pela segunda vez pela secretaria, depois de entre 2003 e 2005 ter sido adjunto de Hermínio Loureiro. Pertencia actualmente à sociedade de advogados PLMJ, liderando a equipa de Direito de Desporto.” - por favor, tirem as vossas conclusões...

domingo, junho 26, 2011

Fantasias Europeias: a idiossincrasia da “manada”

1) Há um vídeo viral que tem aproximadamente 8 minutos e popularizou-se na Internet e que sintetiza, na minha opinião, os problemas centrais da União Europeia - o parque Kruger situa-se na África do Sul foi palco de um episódio da vida de uma manada de búfalos africanos perante um ataque de um grupo de leões. A manada aproximava-se da água e é surpreendida por uma ataque dos predadores leoninos - os búfalos fogem e dispersam. Um dos elementos mais novos não consegue fugir, é derrubado e acaba por cair na água. Ao cair na água, aproxima-se um crocodilo que tenta apropriar-se da presa. Os leões acabam por ficar com a presa e arrastá-la para terra. Quando os leões preparam-se para matar finalmente o jovem búfalo acontece um volte-face e resurge a manada de búfalos que atacam os leões, salvando o seu membro vulnerável. Os leões, perante o ataque em massa dos búfalos, debandam em pânico.

2) A Grécia, a Irlanda e Portugal são os elementos mais vulneráveis da manada europeia - as razões pelas quais estes países são diversas e dependem da visão ideológica do analista. Mas algo é objectivo: estes três países são estruturalmente diferentes nas políticas económicas que desenvolviam anteriormente ao colapso financeiro que obrigou ao pedido de ajuda. Há uma coisa que estes países têm em comum: são da periferia. Também parece claro que há um ataque especulativo sobre os juros da dívida pública, aproveitando o momento e a necessidade dos Estados para compensar os desequilíbrios do próprio sistema financeiro global que teve um impacto em todas as economias do Mundo.

Agora a questão que se coloca é - cada um fica para trás, o que é que os outros fazem? deixam-no para trás ou ajudam-no? A resposta parece fácil mas a prática mostra o contrária. O búfalo jovem seria preguiçoso e não trabalha... qualquer esforço para salvar a nossa pele será sempre mais importante...

A verdade é que a Europa tem várias velocidades motorizadas por diferentes interesses, muitas vezes, ocultos. Os países não são diferentes das pessoas - a Real Politik faz parte do quotidiano das pessoas individuais. Os seres humanos não são perfeitos - consequentemente, os países também não o são. Se as pessoas podem ser cobardes, fraquezas e mesquinhas... também as mesmas falhas podem ser encontradas na postura dos países que, em vez de se solidarizarem, fogem. Afinal, a vida de um búfalo não é fácil...

3) Francisco Lucas Pires, pai do jornalista/escritor Jacinto Lucas Pires, foi um dos líderes emblemáticos do CDS, antes deste partido se ter tornado em CDS/PP. Falecido em 1998, Lucas Pires era um europeísta convicto, convicção essa que o afasta do próprio CDS que, na altura, assumia um posicionamento eurocéptico. Ele, a uma certa altura, escreveu e afirmou o projecto europeu na premissa que os países europeus partilhavam um património cultural e histórico - na sua opinião, havia uma idiossincrasia europeia. Descansem - idiossincrasia está no dicionário...

Pensando naquilo que Lucas Pires, surge-me uma expressão em inglês que tenho muita dificuldade em traduzir - wishful thinking: um optimismo naif. Esta esperança idealista e ingénua desmoronou... a ideia de Europa é suportada pelos ricos e quando os ricos mandam... os pobres obedecem. E tal como Mussolini dizia - obedece porque deves obedecer. E verdade seja dita: Portugal, a Grécia e a Irlanda puseram-se a jeito...

quarta-feira, maio 04, 2011

Tens tempo?


Há uma expressão, impregnada de ironia, que eu, frequentemente, utilizo em contexto informal. Se alguém me pergunta se eu, por exemplo, já comprei um carro novo ou fui de férias para algum local exótico, eu respondo: "Não tenho tempo..."

A minha "falta de tempo" não se refere ao tempo cronológico mas sim à falta de dinheiro... surrealismo dos pobres, dirão alguns, enfim é a Vida!

Esta piada é frequente - torna-se ainda mais frequente quando enfrentamos uma crise financeira grave. Talvez a mais grave que o sistema económico internacional terá enfrentado. É difícil entender a amplitude e o impacto do fenómeno. Mas uma coisa temos que ter consciência: temos que agir. E porquê? Porque não temos tempo...

Mas é possível agir sem dinheiro? A resposta é sim e passa pela activação do cidadão enquanto agente promotor da coesão social. A famosa máxima de Kennedy "Não perguntes o que é que o teu país pode fazer por ti. Em vez disso, pensa sobre o que podes fazer por ele." aplica-se porque todos podemos fazer algo. E reparem que eu utilizei o verbo fazer e não o verbo falar. E dentro do verbo fazer está subjacente outro verbo igualmente difícil e complexo - o verbo participar.

A importância do voluntariado nas organizações do terceiro sector é crucial para a resolução dos problemas sociais contemporâneos. É preciso que as pessoas façam coisas - é preciso ajam sobre a realidade e transformem-na. É preciso romper com o conformismo e com o "deixa andar...". Há que reflectir, há que haver acção, há que mudar o estado das coisas.

A mudança não está na mãos dos políticos. A mudança está na mão dos cidadãos. A mudança está nas nossas mãos. Sendo que nós, cidadãos, somos políticos com um "P" maiúsculo. Por mais que alguns políticos possam falar, Solidariedade é, de facto, geradora de riqueza económica. O País deixará de ser mais pobre quando neste país houverem menos pobres.

No Seixal, a Participação e Solidariedade são possíveis porque há uma variedade enorme de organizações que abordam tratam tantas e tão diferentes temáticas. Organizações que precisam de pessoas que queiram colaborar voluntariamente para a prossecução da sua missão. Pode-se criticar esta autarquia em diferentes aspectos, mas há políticos e técnicos preocupados com a dinâmica associativa. Por isso é possível. Não é fácil, implica trabalho mas é possível.

Julgo ser importante que haja igualmente uma reflexão e adopção de actividades para a activação e responsabilização do cidadão na resolução dos problemas sociais do concelho. Estas pessoas têm de ter tempo (e não estou a falar de dinheiro...) porque os problemas sociais de uma comunidade, não são os problemas de um grupo ou minoria. Estes problemas não são problemas de alguns; são problemas de todos que colectivamente temos de intervir. E porquê? Porque o tempo é pouco...

Era importante que surja uma forma de promover, sistematizar e disseminar as diferentes oportunidades de Voluntariado, assim como de outras formas de colaborar ou ajudar as diferentes organizações sem fins lucrativos deste município. A ideia de um centro de apoio ao voluntariado do Seixal é algo que se discute e que pode potenciar a dinâmica das diferentes organizações, revitalizando e renovando os quadros das associações, colectividades ou IPSS - a natureza, os objectivos ou os processos de gestão podem ser perspectivados de diferentes formas para esta rede mas uma coisa parece-me óbvia: este centro de apoio ao Voluntariado no Seixal tem de avançar porque não temos tempo...

O que não há no Seixal - cabe à Câmara criar esse centro municipal de voluntariado? A resposta é muito simples - cabe a todos nós. E mais uma vez poder-se-á dizer: não é fácil, implica trabalho mas é possível

sábado, abril 16, 2011

Dormir melhor

Foi inaugurado o Centro de Apoio ao Movimento do Associativismo Juvenil e apresentado a proposta de regulamento interno deste equipamento. O CAMAJ era uma aspiração antiga das organizações juvenis e uma promessa eleitoral antiga da CDU para o concelho do Seixal. Muitos ficaram contentes mas o impacto deste equipamento na vida dos jovens do Seixal depende daquilo que fazemos no presente no e com o CAMAJ. Desta forma, a proposta de regulamento revela o que a Câmara Municipal do Seixal acha o que deve fazer neste momento com o equipamento municipal em epígrafe.

O regulamento começa no artigo 2 por enunciar os objectivos: “1) promover e estimular a criação de projectos e actividades do movimento associativo juvenil formal e não formal do concelho do Seixal; 2) disponibilizar à população juvenil um conjunto de valências específicas dirigidas às suas necessidades; 3) Incentivar o movimento associativo a criar parcerias entre si de forma a rentabilizar recursos, dando visibilidade ao trabalho desenvolvido; 4) fomentar o desenvolvimento do Associativismo juvenil no Concelho e consolidar o trabalho já existente” - Muito bem! A questão é como atingimos os objectivos...:

Todos sabemos das dificuldades dos tempos que correm. Todos também devemos ter consciência do esforço financeiro que um equipamento como CAMAJ deve implicar na sua criação e manutenção. Ora perante esta situação como é que aliviamos o esforço (porque os recursos são escassos...) e transformamos o esforço em investimento e o investimento em resultados efectivos e palpáveis para o município?

A resposta é simples: o modelo de gestão do equipamento tem de ser participativo e os utilizadores do equipamento (o movimento associativo juvenil) têm de ser um parceiro real, com responsabilidades e direitos na dinamização do equipamento. Esta discussão pode ser um acto de masturbação intelectual mas tem implicações práticas muito directas. Se a Câmara, por dificuldades estruturais, não conseguir garantir o horário de funcionamento - não há dinheiro, são necessários funcionários noutros serviços, etc... - o que é que acontece às valências do CAMAJ necessárias para as organizações cuja actividade não se encaixa no horário reduzido proposto pela entidade competente - a Câmara Municipal do Seixal.

Vou dar um exemplo: uma organização juvenil quer organizar uma actividade de formação e para adequar os horários tenta realizar a oficina em horário pós-laboral (vamos supor das 19:30 às 22:30..) para que trabalhadores e estudantes possam participar. Mas temos um problema - não se pode realizar depois das 22 horas - o horário não permite. E para que é que o funcionário está lá, em muitos dos casos? Para abrir e fechar uma porta. Com uma chave...

Para ser justo a autarquia pôs em prática a cedência de chaves às organizações juvenis para as Salas de Trabalho para as associações juvenis. E cabe às associações juvenis utilizarem regularmente as valências do equipamento, legitimando as reivindicações afirmadas em inúmeras reuniões, encontros e documentos.

As organizações juvenis não têm tecto para viver e não têm terra para trabalhar - é tão simples quanto isso. Não há um reconhecimento efectivo na Sociedade Portuguesa sobre a importância da escola de cidadania e empreendedorismo que é o associativismo juvenil. Embora os discursos dos políticos estejam “inundados” com palavras sobre os jovens, na prática, o reconhecimento real do papel dos jovens na Sociedade Portuguesa fica-se pelo Futebol e pouco mais.

Tempos difíceis aproximam-se... mais do que nunca, temos de criar soluções de compromisso e capacitar os agentes da sociedade civil na acção conjunta com um objectivo comum. Perante a dificuldade da autarquia em dar certas respostas que exigem flexibilidade, velocidade de resposta e imaginação, a Câmara Municipal do Seixal tem de pôr aqui em prática aquela palavra tantas vezes utilizada em discursos - parceria. Ora a palavra “Parceria” puxa a palavra “Confiança” e aqui coloca-se outra questão: a Câmara Municipal confia verdadeiramente nas associações juvenis, com as quais já trabalha?

Muita vezes fico com a impressão que faz-se o investimento na área da Juventude para aliviar a consciência de algumas pessoas e assim, no final do dia, puderem dormir melhor...

domingo, junho 27, 2010

Tenho um amigo fascista



Tenho um amigo fascista que é um dilema na minha vida. Passei a minha adolescência com ele. partilhámos piadas, conversas, problemas, crises, alegrias, sonhos, música... coisas que unem duas pessoas para o resto da vida. Coisas que, pelo menos, deveriam unir... dois amigos. Digo amigos também porque numa das mais importantes redes sociais na Internet do Mundo, ele é meu amigo.

Tenho um amigo fascista? Ele não se denomina como fascista - é um nacionalista! Defende a pátria e a sua pureza racial conspurcada pelos imigrantes, homossexuais, comunistas e outros que tais que destroem a "nação valente e imortal". Não sei se ele é meu inimigo mas, por eu ser de esquerda, ele vê-me como a sua némesis. Os problemas de Portugal começaram com o 25 de Abril de 1974. A guerra colonial, as eleições fraudulentas, a censura, as perseguições políticas, o estatuto jurídico inferior da mulher, o condicionamento corporativo da actividade económica... todos estes factos que caracterizavam o Portugal de então faziam de nós um país supostamente próspero e feliz. Supostamente... A memória de alguns é claramente uma interpretação fantasiosa de um país que só existiu na cabeça deles. No caso do meu amigo, nasceu depois do 25 de Abril e sempre que evoca as "glórias" de Salazar o que ele acaba por fazer é um elogio à democracia do 25 de Abril. Sempre.

Tenho um amigo fascista que vai contra quase tudo que eu defendo como ser humano - a ideia de Nação Portuguesa é uma invenção intercultural e a riqueza deste país depende do esforço colectivo daqueles que estão e os imigrantes em Portugal são parte da solução. Dizer que o Desemprego e a Insegurança são resultado da imigração em Portugal é um erro, motivado pela necessidade em encontrar culpados fáceis, evitando olhar para o problema e para as suas causas na sua essência. Tenho o prazer em trabalhar com portugueses e estrangeiros, sendo que a nossa diferença torna-nos efectivamente mais fortes, mais inteligentes e mais preparados para as mudanças que estão para vir... esta é uma verdade que vivencio todos os dias: eles - polacos, alemães, cabo-verdianos, guineenses, angolanos, turcos... - são a minha nação valente e imortal. E afirmo aos nacionalistas: Portugal tem poucos estrangeiros!

Tenho um amigo que sabe muito pouco sobre a História de Portugal (na qual ele tem supostamente um orgulho imenso...) e não quer saber que o ADN da nossa nacionalidade é o resultado de cruzamentos de culturas de várias paragens... e foram estes contributos que tornaram-nos uma "Nação Valente e Imortal". É incontável a lista de povos que estiveram naquilo que é hoje o território nacional, deixando nele patrimónios riquíssimos que contribuíram para a criação da identidade nacional lusitana. Os nacionalistas, quando celebram o 10 de Junho, esquecem-se da vida de Camões e provavelmente têm dificuldades em compreender o seu amor por Dinamene – que por ser estrangeira não tinha lugar no nosso País. Pergunto-me: como se pode ser nacionalista e defender o que um nacionalista defende depois de ler “Os Lusíadas”… Na verdade, os nacionalistas recusam-se a ver muitas coisas e não querem despertar para uma realidade bem mais cruel, para eles e para todos nós - eles não são nacionalistas, eles são fascistas.

Não consigo sentir o mesmo ódio que o meu amigo fascista tem por mim - Woody Guthrie, um cantautor americano que inspirou músicos como Bob Dylan ou Bruce Springsteen, tinha na sua guitarra a seguinte inscrição "Esta máquina mata fascistas". Eu, por sua vez, nunca fui capaz de dizer "Um bom fascista é um fascista morto!" e agora muito menos... afinal é meu amigo... ou pelo menos, era...

Tenho um amigo fascista? Não sei...

segunda-feira, setembro 14, 2009

Beautiful People



Rufem os tambores! Seixal é notícia nacional! Para além do Benfica e dos incidentes na Quinta da Princesa, o candidato Samuel Cruz do Partido Socialista convidou a modelo profissional Filipa de Castro, mais conhecida por ser ex-mulher do antigo capitão da equipa de futebol profissional sénior do Sporting Clube Portugal Beto!

Confesso que não sou a pessoa mais inteligente do Mundo mas a minha cabeça faz umas associações curiosas e, ao saber desta notícia, lembrei-me quase automaticamente de uma música dos Marilyn Manson que tem o título "Beautiful People" - na letra da música surge o seguinte texto: "The beautiful people, the beautiful people; Its all relative to the size of your steeple; You cant see the forest for the trees; You can't smell your own shit on your knees..." [Tradução: As pessoas bonitas, As pessoas bonitas; É tudo relativizado ao tamanho da tua torre do campanário; Não consegues ver a floresta pelas árvores; não consegues cheirar a tua merda quando estás de joelhos]. Para quem não sabe, Marilyn Manson, tal como Samuel Cruz, é uma personalidade propensa a criar polémicas: é um músico rock cujo teor das músicas é grotesco, provocador e decadente o que se reflecte na sua indumentária e maquilhagem. Marilyn Manson sabe claramente que a polémica vende discos mas o trabalho artístico dele, goste-se ou não, faz pensar e não nos deixa indiferente.

O problema central da escolha da mandatária para a Juventude do PS reside no facto de ser uma escolha inóqua - não consigo dizer nem bem nem mal. Não sei se foi uma boa ou uma má escolha porque não posso dizer nada sobre ela. E porque é que eu não posso dizer nada sobre a Filipa? Porque não sei quais são as suas ideias sobre a Política, sobre o Seixal e já agora... sobre Juventude.

A Filipa de Castro, ao contrário do Marilyn Manson, é uma "pessoa bonita": é uma modelo profissional que aparece continuamente nas revistas sociais. A Filipa de Castro não pode ser julgada por ser uma "pessoa bonita". Em rigor, a Filipa de Castro não pode ser avaliada como uma boa ou má escolha para ser mandatária para Juventude. Porquê? Porque não se sabe nada.

A lógica é simples - uma cara bonita e conhecida dá votos; da mesma forma que o Cristiano Ronaldo ajuda a vender produtos financeiros do BES, a Filipa de Castro ajudará a angariar votos para o PS - lá está: simples. Dessa forma, a figura dos mandatários para a Juventude é uma jogada promocional das campanhas, para encher o olho dos meios de comunicação social. A ideia do jovem é associada à ideia de beleza estética, vitalidade física... ausente de doença e longe da Morte. O jovem é bonito e atlético, lembrando subconscientemente o universo estético de riefenstahliano. Seguindo esta linha raciocínio, mais do que frustrado ou ofendido, a escolha de Filipa de Castro deixa-me triste. Triste porque os jovens acabam por não ter valor pelas suas ideias mas sim pelo seu corpo.

Corro o risco de ser injusto com o Samuel Cruz e com a Filipa de Castro mas não consigo parar de fazer relações entre esta escolha feita pela candidatura do PS Seixal e outras situações: o Povo da Liberdade - o partido Silvio Berlusconni - numa jogada claramente populista, escolheu para a lista um conjunto de mulheres atraentes, algumas antigas modelos profissionais, para integrar a lista para as últimas eleições ao Parlamento Europeu. O próprio Berlusconi desapareceu por alguns dias para fazer um "rejuvenescimento" físico.

E é impossível deixar de associar Filipa de Castro a Carla Patrocínio que, neste momento, está a destacar-se nesta campanha para as Legislativas pelas suas fotos mais ousadas que foram colocadas no Facebook, do que propriamente pelo seu alinhamento político e ideológico com o PS e José Sócrates.

Para tentar ser imparcial nesta análise, fui ao blogue do candidato do PS para informar-me das motivações desta escolha e cito o seguinte: "Samuel Cruz, candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal do Seixal, escolheu Filipa de Castro para Mandatária da Juventude da sua campanha pelo seu carisma e pelo que pode representar de positivo para o concelho do Seixal." Ora, se espremermos isto o que é que temos? Para mim, nada. Estou particularmente curioso saber o que é que a Filipa de Castro pode representar de positivo na campanha. Digo isto sem qualquer cinismo ou sarcasmo porque não sei qual é a mais valia dada pela Filipa de Castro ou de outra pessoa qualquer.

Nos vários comentários ao artigo publicitando a escolha de Filipa de Castro, destaca-se um: "Qual é o mal da mandatária?? Qual é o mal de não se ter ouvido ideias políticas da sua boca?? Com certeza que quem a convidou deve saber e isso a mim chega... Talvez a política em Portugal precise mais de pessoas completamente fora do circulo politico, com ideias novas (que para muitos podem parecer estúpidas, mas para outros poderão fazer algum sentido - esta a vantagem das democracias)." - concordo em absoluto! Só há aqui um pormenor que não encaixa - quais são as "ideias novas" da Filipa de Castro?

Estou a ser injusto com a Filipa de Castro - no programa 5 para a meia-noite, Filipa de Castro foi convidada por Fernando Alvim e disse que nutria alguma admiração por Pedro Santana Lopes... não explicou os contornos da sua simpatia pelo ex-primeiro ministro do PSD. Mas lá está, tirando isso e mais uma vez... nada. Fico à espera.

Reconheço que num universo político mediatizado, os olhos também comem! No entanto, era bom que a Política (e consequentemente os políticos...) fizesse com que as pessoas pensassem um pouco naquilo que andam a comer...

segunda-feira, maio 25, 2009

Hoje estava a trabalhar com a televisão ligada e começar dar uma rodada de vídeos no VH1 dos Police. Eh pá, deu-me uma saudade boa... Os Police estão no meu ADN - sempre tive a impressão que o Sting tirou as palavras da minha boca, das tristezas e das pequenas alegrias que nos aguentam com coragem para o dia seguinte.

Eu acho piada ao Sting porque tenho a impressão por aquilo que leio dele que ele não é um tipo que se leve muito a sério... isso reflecte na música, nas letras ou mesma na sua técnica como baixista...

Fica uma letra do homem, um tema mais desconhecido do seu reportório - I burn for you:

Now that I have found you
In the coolth of your evening smile
The shade of your parasol
And your love flows through me
Though I drink at your pool
I burn for you, I burn for
You and I are lovers
When night time folds around our bed
In peace we sleep entwined
And your love flows through me
Though an ocean soothes my head
I burn for you, I burn for
Stars will fall from dark skies
As ancient rocks are turning
Quiet fills the room
And your love flows through me
Though I lie here so still
I burn for you, I burn for you
I burn...

P.S.: Já agora fica a hiperligação da música no YouTube. Curiosamente não é dos Police, é do Sting a solo mas anda lá perto... :)

domingo, abril 05, 2009

Bem aqui vai o meu post da semana...

Hoje limpei o meu carro (mais ou menos) e nas minhas navegações de tempo livre, encontrei um poema do argentino Jorge Luis Borges com o título «Não és os outros» - fica aqui:

Não há-de te salvar o que deixaram
Escrito aqueles que o teu medo implora;
Não és os outros e encontras-te agora
No meio do labirinto que tramaram
Teus passos. Não te salva a agonia
De Jesus ou de Sócrates ou o forte
Siddharta de ouro que aceitou a morte
Naquele jardim, ao declinar o dia.
Também é pó cada palavra escrita
Por tua mão ou o verbo pronunciado
Pela boca. Não há pena no Fado
E a noite de Deus é infinita.
Tua matéria é o tempo, o incessante
Tempo. E és cada solitário instante.

domingo, março 22, 2009

Há um sítio que eu gosto de acompanhar - sou uma vítima (???) dos tempos modernos. Mal tenho tempo para ler livros por isso prefiro o sítio citador.pt. Uma digestão de grandes livros na procura de uma

É por isso que aderi ao twitter: 140 caracteres - às vezes, a escassez de palavras obriga-nos ao essencial e ao silêncio. Nos tempos que correm, precisamos de silêncio e ausência de paixão.

140 caracteres e silêncio.

Voltando ao sítio citador.pt, aí encontrei um poema de Harold Pinter que não me deixou indiferente, dedicado à sua companheira. Aqui fica - À minha Mulher:

Eu estava morto e vivo agora
Tu pegaste-me na mão

Eu morri cegamente
Tu pegaste-me na mão

Tu viste-me morrer
E encontraste-me a vida

Tu foste a minha vida
Quando eu morri

Tu és a minha vida
E assim eu vivo

domingo, março 15, 2009

Yes I can... what I can --> sim eu posso o que posso.

Não tenho blogado agora sou mais twitar [gosto destes verbos novos]

Vou falando por aí...

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Boas...

Eu, que gosto de ler como se estivesse num buffet - tenho encontro marcado nas minhas navegações com este sítio: citador.pt - aqui encontrei um texto engraçado e interessante do Miguel Esteves Cardoso - A Tristeza dos Portugueses - o MEC tem o talento de delinear a idiossincrasia portuguesa, como Pessoa, Carlos Paredes ou o António Variações

Vou ver o resto do House...