domingo, dezembro 14, 2008

Hoje [ou ontem...] lembrei-me de uma música que não ouvia há muito tempo: "Me and my big ideas" foi um tema escrito dos Tears for Fears para um album que não foi bem sucedido ["Raoul and the Kings of Spain"] - o título é poderoso, a letra também mas a música com o dueto vocal entre Roland Orzabal e Oleta Adams torna-a... maior.

Fica a letra e um vídeo que apanhei no YouTube:

Me and My Big Ideas

Me and my big ideas
Won't wash away your tears
No one else seems to mind
That I'm not that kind

Go get a volunteer
We'll pay him well my dear
He will see inside your mind
Because he is that kind

It's a southern kind of heat
The shadows crack and start to creep
Conversation drags its feet
I wish we'd both been more discreet
Like light that is caught between night and day
You're stuck between me and my

Me and my big ideas
Won't wash away your tears
So many strings to your bow
Why not let one go

Well they love you when you're weak
Bet they hate to see this winning streak
It's that thing we call control
There's a deep frustration in their soul
Black thoughts
That are stuck between someone's earsv Like me and my big ideas

So many strings to your bow
Why not let one go
In a way this dream is over
Blown away our four leaf clover

There's no reason why
Me and my big ideas
Won't wash away your tears
No one else seems to mind
That I'm not that kind

sábado, novembro 29, 2008

Boas...

Quero recuperar uma ideia antiga: Eu não sou o que sou, eu sou o que faço...

Vídeo do dia: graças ao Ville, descobri uma banda que nós os dois gostamos mas que tem um som um bocado gay o que vai contra a nossa condição heterosexual - os Mew. Eles têm uma canção que não me tem largado "Snow Brigade" - no YouTube encontrei um vídeo com imagens do Shinning que acaba por colar de uma forma engraçada com a canção - Mew - Snow Brigade.

sábado, novembro 15, 2008

Hoje pensei:

"Não gosto muito de viver mas ainda tenho coisas para fazer..."

Que estupidez... ou talvez não... sinto-me sozinho mas há dias que não quero ter ninguém à volta.

Isto depois passa...

Vídeo do dia: Foo Fighters: The Pretender

segunda-feira, novembro 10, 2008

Apetece-me escrever mas não sei o que escrever... estou cansado... fica para mais tarde.

domingo, novembro 02, 2008

Estive na Sérvia e voltei os meus problemas clássicos de não saber trabalhar em grupo em contexto de formação... desta vez, consegui lidar com os meus problemas de personalidade e sinto que estou em processo de aprendizagem... por isso quero melhorar a minha estabilidade emocional como formador a lidar com pessoas dominantes... como eu... e assim eu espero!

O país vai crescer muito... pela determinação das pessoas - o grupo de formação tinha pessoas da Bósnia, Macedónia, Croácia, Sérvia e era estranho que era suposto estas pessoas não se entender e terem problemas de nacionalismo... mas afinal era todos irmãos... às vezes estava à mesa com eles, comunicavam uns com os outros parecendo que falavam a mesma língua e eu pensava: "Porque é que a Jugoslávia acabou quando eles todos querem entrar para a União Europeia..." - quando lhes colocava esta ideia, todos eles respondiam: "O problema foram os políticos e as pessoas que fizeram dinheiro com a guerra..."

Belgrado é bonita - e fiquei muito contente por ver em toda a cidade cartazes da Mariza que vai actuar lá em Dezembro! Um certo orgulho nacional - eu que nem sou um grande fã da Mariza fiquei contente... afinal de contas e apesar de tudo sou português e gosto de fado. :)

Por causa dos contactos quase que fui obrigado a criar um perfil no facebook - o meu contacto é o nunoide [at] hotmail . com por isso se quiserem-me adicionar estão à vontade... ach
Ando a trabalhar muito... e continuo com muitas dúvidas sobre se estou no caminho certo... e as pessoas à minha volta começam a vacilar... está a ser muito difícil para todos... as certezas ainda são poucas... merda!

sábado, setembro 20, 2008

Saber ler e escrever

A Rato – ADCC reiniciou o projecto Teclar que, por razões relacionadas com a mudança para a nova Oficina da Juventude do Miratejo, esteve parado.

Não vou enaltecer o trabalho que está a ser feito e vou simplesmente abordar a causa: a infoexclusão. Nicholas Negroponte é um cientista norte-americano que se tornou um guru moderno sobre as implicações das transformações que a Sociedade de Informação está a trazer à nossa vida quotidiana. Nicholas Negroponte empenhou-se no desenvolvimento de um
computador portátil com o valor de 100 dólares que seria distribuído por crianças dos países em desenvolvimento.

Num vídeo promocional da Fundação OLPC (One Laptop per Children – Um Portátil por Criança: disponível no canal do YouTube da Fundação - http://www.youtube.com/OLPCFoundation ele diz o seguinte: “Porque é que um miúdo num País em Desenvolvimento precisa de um portátil de todas as coisas quando poderá não ter comida, em alguns casos poderá não viver até aos 5 anos de idade, não têm água potável e os pais ganham 1 dólar por dia ou menos – Meu Deus
porque é que eles deveriam ter um computador pessoal? Tirem a palavra portátil e substituam-na por Educação e ninguém diria isso. Esta [computador portátil de 100 dólares] será a única esperança para eliminar pobreza, criar paz e proteger no ambiente. Eu não consigo pensar numa melhor maneira de o fazer”

Não se trata de ter a filosofia “think big” - afinal o computador custa aproximadamente 100€. O que Nicholas Negroponte sublinha é o poder da Técnica ao serviço do Homem nas suas melhores
possibilidades, intenções e realizações efectivas.

No mundo desenvolvido, a infoexclusão atinge sobretudo aqueles que são um dos primeiros resultados do desenvolvimento das nações: os idosos. Nunca se viveu tanto como nos dias de hoje. Mas essas pessoas que chegam à idade mais avançada são pessoas lúcidas (frequentemente dotadas de grandes capacidades intelectuais...) que são confrontadas com uma realidade
tecnológica em mutação que está na base na forma como comunicamos, nos relacionamos ou aprendemos.

A infoexclusão pode ser uma questão pouco urgente nos dias que correm mas será provavelmente daqui a 5 anos. Não me chamo Maya e nem tenho nenhuns poderes especiais mas utilizo o óbvio tal como os astrólogos – o computador [ou a máquina digital, numa perspectiva mais lata...] está presente em todos os domínios da nossa vida e se não temos competências no
domínio da literacia digital e mediática, nós afundamo-nos num estado de autismo social.

O projecto Teclar aborda este problema: proporcionar uma oportunidade formativa dirigida a uma faixa etária mais idosa que nunca ou quase nunca teve um contacto com o «bicho informático» - com frequência, as pessoas idosas enfatizam o medo de estragar o computador, do bloqueio ao computador feito pelos mais novos [filhos, netos...]. Mas o que é realmente importante neste trabalho é o próprio processo de aprendizagem que desenvolvem: muitas
vezes, as pessoas idosas não entendem o processo de aprendizagem como um processo de descoberta – muitas vezes com medo de fazer mal ou de «estragar» o computador, receiam o próprio computador em si. O grande desafio assenta em aceitar a mudança como normal e acertar não o relógio mas sim a velocidade dos ponteiros e gostar de ver como o relógio funciona
ou mesmo experimentar novos relógios. E aqui mais do que a ignorância, o pior adversário destes processos está no medo.

Consideramos ser importante que os agentes públicos (o Estado e as Autarquias Locais) e privados (as associações de reformados e pensionistas e outras organizações sem fins lucrativos) abordam este problema proactivamente e com noção de que o que importa aqui é que o truque está no processo de aprendizagem que é feito ao longo da Vida. De toda a Vida.

domingo, setembro 14, 2008

Bem eu pensei em criar uma coisa de raiz mas acho que vou utilizar as merdas que já existem com o google e afins... e vou pôr os meus documentos e merdas afins num grupo de discussão... é a vida!

Entretanto vou-me dedicar outra vez ao Moodle da Rato - ADCC. Acho que posso desenvolver os meus conhecimentos de HTML - assim espero.

Até lá: trabalho, trabalho, trabalho...

terça-feira, setembro 02, 2008

Encontrei os seguintes sítios na Internet com os quais tenho de trabalhar... 1) http://www.swivel.com 2) http://wordle.net e 3) Many Eyes

segunda-feira, agosto 04, 2008

Lisbon's not dead

Cavaco Silva lembrou-se mais uma dos jovens na sessão comemorativa do 25 de Abril.

Baseando-se num estudo feito pela Universidade Católica, no seu discurso presidencial, ele alertou os deputados da nação para a ignorância e desinteresse generalizados dos jovens para as questões da política e cidadania.

O problema do nosso estimado Presidente da República é que ele porta-se como Frei Tomás ? faz o que eu digo e não faças o que eu faço! A visão do estadista Cavaco Silva foi tendo várias metamorfoses mas, mesmo se pensarmos o que conta é este momento, as palavras cairam mal, na minha modesta opinião.

E caíram mal porquê? O elã político de Cavaco Silva advém muito da capacidade de tomar decisões sozinho, contra tudo e contra todos. Cavaco, o liberal, defende implicitamente que o Estado serve para potenciar o crescimento económico dos agentes económicos do Estado. As eleições servem para dar maiorias estáveis e governáveis. As ideias e os rumos estão definidos nos compêndios e manuais de Economia. Não há muito a inventar. As ideias e as diferenças de opinião são frequentemente fait divers que podem originar cargas da GNR mas isso é aquilo que é menos preocupante.

Não olhemos então para o Passado: das três perguntas colocadas no estudo e que deixam profundamente preocupado o Sr. Presidente, há uma que acho particularmente ilustrativa da incongruência do discurso deste mais-que-tudo do nosso País ? quantos países tem a União Europeia? E você sabe quantos países tem a União Europeia? Não é preciso ser-se jovem para responder errado a esta pergunta.

E porque é que os jovens (e os velhos...) não sabem quantos países têm a União Europeia? Por uma série de razões mas aquela que me surge como mais directa é a falta de informação e de debate nas escolas e em outros espaços públicos. Eu também acho que é grave que muitos jovens não saibam responder mas a questão que coloco é que os políticos do Bloco Central gostam de falar da UE como um facto consumado como o Sol, as Estrelas e os finais das telenovelas. Não há nada a saber.

Foi público e notório o papel de Cavaco Silva na escolha da ratificação via parlamentar do Tratado de Lisboa. Até agora o povo Português nunca fora consultado sobre qual era a sua opinião. Hoje, pagamos a factura de Maastricht sem o sabermos. Se calhar o Povo Português quereria pagar essa factura, mas aquilo que importa é que quando temos a oportunidade de discutir (através do instrumento do referendo) e elucidar o que é, de facto, este Tratado e o que queremos da Europa, a resposta do bloco central foi... não.

Quer Cavaco Silva e os seus apoiantes gostem ou não, a verdade é que a ratificação parlamentar serviu de tampão a um mecanismo que poderia estimular a discussão, o conhecimento e um possível sentimento de pertença à União Europeia. Hoje, a Europa é um sítio onde se vai buscar subsídios, mais nada porque o resto não interessa. Cavaco Silva não é o único ? por toda a Europa, os europeístas têm medo dos europeus. Cavaco não entende a ignorância nem a dúvida. Para ele a realidade dos factos têm a simplicidade ontológica de uma fatia de bolo rei. Está lá e nós comemos. O pior é se nos sair a fava.

Quando as taxas de juro aumentam, quando a ASAE vai atrás do pequeno comerciante, quando o IVA não baixa... em tudo isto temos decisões de cima, da União Europeia. Não vemos Bruxelas mas ela está lá!

O que Cavaco Silva não quer assumir é que a consciência política e a participação cívica das pessoas está também dependente da disponibilidade dos políticos em aceitar diferenças de opinião. Quando o Presidente apela à participação, apela à participação de acordo com as suas regras, visão e finalidade. O modelo Ford T com todas as cores, desde que sejam preto. Todas as soluções políticas desde que tenham Tratado e ainda por cima com o nome da nossa capital maravilhosa. Enquanto há esperança... Lisbon's not dead! Cavaco dixit.

domingo, julho 13, 2008

Hoje estava a limpar o carro e a ouvir a Antena 1 e no meio de uma entrevista com a Laurinda Alves (acho que era ela...) num programa sobre blogues e a meio ela disse que para actualizar constantemente é preciso tempo interior... conceito curioso!

É isso - falta-me tempo interior... e este blogue é sobre isso - a falta de tempo interior...

sexta-feira, maio 02, 2008

Escolhe

Escolhe a Vida. Escolhe um emprego. Escolhe uma carreira. Escolhe uma família. Escolhe a merda de uma televisão grande, escolhe máquinas de lavar, carros, leitores de CD e máquinas eléctricas para abrir latas [...]Escolhe o futuro. Escolhe a Vida... Mas porque é que eu haveria de querer uma coisa dessas? Eu escolhi não escolher a Vida. Eu escolhi uma outra coisa. E as razões? Não há razões. Quem precisa de razões quando temos heroína?


Este trecho foi retirado do filme “Trainspotting” baseado no livro homónimo de Irvine Welsh. Esta é uma história amoral sobre a vida de um grupo de jovens de Edimburgo (na Escócia) que aparentemente não escolheram uma vida nem um futuro. É um filme de culto na minha geração - uns ficaram chocados, outros acharam o filme engraçado mas em geral poucos ficaram indeferentes. O filme parecia um espelho próximo da realidade juvenil suburbana do mundo ocidental, abordando a realidade da toxicodependência juvenil.

Durante muito tempo, nunca soube ao certo o que significava Trainspotting – quer dizer, sabia traduzir as duas palavras “train” e “spotting” mas só foi mas mais tarde na minha Vida é que soube que “Trainspotting” é um passatempo que consiste em ver comboios. Quando soube, sinceramente pensei que só alguém que não tem nada para fazer ou que não sabe o que há de fazer da sua Vida é que vai avistar comboios? Talvez...

Não vou escrever sobre drogas. Vou escrever sobre o 25 de Abril.

Se pensarmos sobre o que é o 25 de Abril, a primeira palavra que surge é “Liberdade”. E se eu pudesse falar com um jovem e perguntar-lhe o que é Liberdade, ele provavelmente responderia “Liberdade é fazer o que eu quero”. Melhor: “Fazer o que me apetece”. Seguidamente se continuássemos com este diálogo quase socrático, perguntássemos o que te apetece fazer, esse jovem responderia “Não apetece fazer nada”. Ou então: “Não sei”. Com o tempo que temos disponível, podemos sempre ver os comboios a passar.

O 25 de Abril trouxe-nos para a modernidade e afastou-nos do universo onírico salazarista de um Portugal humilde, pobre e crente. Alguns que a transformação era inevitável e que chegariamos aqui com ou sem 25 de Abril. Não quero enveredar pela discussão do “Revolução versus Evolução” mas para afirmar que o 25 de Abril trouxe mudanças fundamentais: hoje somos um País diferente e, na minha opinião, um País melhor. Muito melhor.

Portugal passou a ser um país moderno (na medida do possível...) e nunca, na nossa História, tivemos tanta riqueza, tantos bens de consumo que pudessemos usufruir. Eu tenho logo eu sou: eu sou o telemóvel da Nokia ou os ténis da Adidas. Nós temos logo nós somos tudo o que queremos ser. As virtudes do País rural crente em Deus do “antes 25 Abril” foram substítuidas pelo brilho pechisbeque dos brincos do Cristiano Ronaldo. De repente, tudo é possível, fácil e rápido.

O problema é que nós, aparentemente, não temos problemas. Mas a verdade é que temos problemas e o maior problema é não vermos os problemas ou não os querermos ver. No mundo moderno, a Vida tornou-se um percurso já feito. Ford, quando lançou o seu modelo T, afirmou: “Podem escolher todas as cores, desde que seja preto.” A escolha é teres aquela escolha.

Há uma ilusão que podemos escolher tudo e tudo está disponível... desde que escolhemos preto.

O problema nas comemorações de Abril é que são feitas no pretérito imperfeito – é o dever de quem viveu o 25 de Abril e que teme que a sua memória seja remota, que faça reflexão sobre os dias de Hoje e sobre os jovens que irão ter que lembrar o 25 de Abril cada vez mais longíquo no tempo.

Mais do que uma comemoração, 25 de Abril deve ser um verbo conjugado no presente e no futuro, encarando os desafios dos tempos que correm e que hão-de correr com os ideais democráticos de 74. Mais do que comemorar, é preciso agir no agora. Mais do que lembrar, é preciso pensar que a mais longa caminhada começa sempre no primeiro passo e andar não é fácil, não é rápido e cansa. Mais do que a data, os valores.

A Liberdade exige sonho e músculo.

sexta-feira, abril 04, 2008

Amanhã, ou hoje vai haver, uma formação sobre o YouTube - aqui vou deixar algumas hiperligações sobre o projecto:

Canal do YouTube de início:
http://www.youtube.com/nun0ide

YouTube na Wikipédia em Português e Inglês; Comparação dos serviços de partilha de vídeo

Sítio com backgrounds

O YouTube pode ser usado como?

Diário pessoal (vlog): E-pisódio dos Dixit

Promoção artística: Brandon Hardesty e hiperligação no Wikipédia // David Fonseca

Entreternimento: Dragostea Din Tea

Aprender pela Internet: Hot for Words

Moblização para causas solidárias: A última lição de Randy Pausch

Política: You choose 08

sábado, março 22, 2008

8 anos a clicKar

Após a reunião da Comissão Política do PS sobre os 3 anos do governo socialista, Vitalino Canas deixou no espaço mediático nacional um rasgo de brilhantismo intelectual: o porta-voz do Partido Socialista afirmou que e eu cito:
quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem. E, foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizermos mal...


UAU!!!

O meu espanto não se centra tanto na qualidade (ou falta dela...) dos actuais governantes do nosso País. O que me deixou "esmagado" foi a ideia de que se fazem balanços para serem certamente balanços positivos. Eu não faria isso...

Falo sobre isto porque no passado dia 15 de Março, a Rato - ADCC fez o seu "segundo" aniversário: no dia 29 de Fevereiro de 2000, fomos a Vendas Novas assinar a escritura de constituição - deste então, cantamos os parabéns 4 em 4 anos. É engraçado e torna as comemorações mais económicas! O Jorge Santos - director do Jornal - esteve lá e fez-me um desafio: "Olha lá faz um artigo sobre estes 8 anos, pá!" E eu - "OK, vamos ver o que sai..."

Sentei-me à frente do computador e coloquei uma questão que sempre colocámos na Rato - ADCC - "Valeu a pena?" Quem acampanhou o percurso da associação sabe que tudo isto nunca foi fácil, pelo contrário... houve uma grande persistência da nossa parte contra muitas adversidades que causaram um desgaste em muitas pessoas da associação que deixaram o projecto. As exigências e a necessidade em agarrar oportunidades trouxe uma fadiga e uma descrença naquilo que estamos a fazer - "Afinal de contas, está a valer a pena? O trabalho, o esforço e o sacrifício? Será que estamos no caminho certo? Será que tudo isto faz sentido? Será que vale mesmo a pena?"

Ao contrário do PS, as nossas assembleias gerais eram encontros sofridos quase masoquistas que nos obrigavam a confrontar com os problemas e com a necessidade urgente em encontrar soluções. Nada era bom, tudo era difícil - a falta de apoios, a necessidade em encontrar novos associados e a necessidade em afirmar um projecto juvenil a longo prazo com uma voz activa nas questões globais da Juventude no distrito de Setúbal... a pressão em crescer e corresponder às exigências que vinham de dentro e de fora - tudo isto fez com que o caminho da Rato - ADCC fosse ora uma Via Ápia, ora uma Via Dolorosa...

Os balanços, na Rato - ADCC, eram momentos de conflito sobre os erros cometidos e de como o futuro seria melhor. Ao contrário do PS, o erro foi sempre mais importante como elemento simultâneo de reflexão e acção. Parece bonito mas não é - porque a pergunta pulsava, umas vezes outras vezes menos: "Valeu a pena?"

Se penso em coisas más, também penso no que houve de bom e tenho de pensar nas pessoas - na Joana, na Maria, na Lisete, na Justyna, no Ville, na Katrin, na Paula, na Irene, no José, na Teresa, na Lubélia, no Mário, na Odete, na Francisca, no Costa... nomes atirados aleatoriamente que passaram e que estão ligados à associação em diferentes contextos e que sentiram gratidão pelo trabalho feito. Estes nomes correspondem a pessoas que foram sujeito e predicado. Mais do que políticos ou técnicos de juventude a mim o que é realmente importante é aquilo que podemos fazer por elas. Tentamos não esquecer isso - o que é muito fácil esquecer - afinal, estamos nisto pelos outros.Mas se há aquilo que me faz pensar que talvez este esforço todo faça sentido é a ideia de futuro que queremos fazer mais, melhor e diferente. Temos mais voluntários e mais jovens a fazerem actividades - tudo isto contraria as dificuldades diversas que uma organização juvenil em Portugal enfrenta. Isto não apaga a dúvida mas dá-lhe outros contornos.

Valeu a pena? Quando eu souber, eu digo-vos. OK?

sexta-feira, março 07, 2008

Amanhã a Rato - ADCC vai desenvolver uma oficina sobre blogue e era interessante eu praticar um bocadinho:
Um weblog, blog ou blogue é uma página da Web cujas atualizações (chamadas posts) são organizadas cronologicamente de forma inversa (como um diário). Estes posts podem ou não pertencer ao mesmo gênero de escrita, referir-se ao mesmo assunto ou ter sido escritos pela mesma pessoa.
in http://pt.wikipedia.org/wiki/Weblog

Agora quero deixar aqui algumas hiperligações úteis:
Contextualização
Definição de weblog na wikipedia [PT]
Definição de Blog na wikipedia [EN]
Blog History
Blogs in plain english
Social Networking in plain english
Web 2.0
The Machine is Us/ing Us (Final Version)
Video Blogger
Conceitos Técnicos
http://www.w3schools.com || site de referência para fazer código html
http://www.sosdesigners.com || site para designers
http://codigofonte.net || a mesma coisa
http://pt-br.html.net/tutorials/html || Tutorial em HTML
Cascade Style Sheet
http://www.maujor.com/ || site com exemplo engraçado com as caixas de cantos arredondados
http://www.maujor.com/tutorial/apoiofund_links.html || css para links
http://html-color-codes.com || códigos para as cores em HTML
Tutoriais em video para blogspot.com
Blogger: How to start a blog
Customizing Your Blogger Template
Adding Google adSense to a Blogger Blog

domingo, dezembro 23, 2007

Bem tenho de pensar que tenho de migrar o blogue para o outro servidor e voltar ao meu processo de aprendizagem destas coisas de ser webmaster... entretanto eu criei uma galeria no Picasa... por agora coloco as fotos lá... depois logo se vê!

sábado, dezembro 22, 2007

Uma actriz maravilhosa cujo talento realça a sua beleza...

quinta-feira, dezembro 20, 2007

O meu tempo anda um bocado possuído por folhas de cálculo e formulários de candidatura online... mas no outro dia, algures, ouvi esta música... e... aqui fica a letra e o vídeo.

* * *

Who's gonna tell you when it's too late,
Who's gonna tell you things aren't so great.

You cant go on,
Thinking,
Nothing is wrong,
but bye,
Who's gonna drive you home tonight?

Who's gonna pick you up when You fall?
Who's gonna hang it up when you call?

Who's gonna pay attention to your dreams?
And who's gonna plug their ears when you scream?

Who's gonna hold you down when you shake?
Who's gonna come around when you break?


P.S.: Sim... quem...?

sábado, dezembro 08, 2007

A matriz de Eisenhower

Dwight Eisenhower foi um militar norte-americano que se notabilizou por dois factos: foi o comandante da operação Overlord no assalto à costa da Normandia (com o famoso dia D) e pelo facto de ter sido Presidente dos Estados Unidos da América.

Curiosamente, o seu nome foi associado a uma matriz utilizada em processos de tomada de decisão – esta matriz tem dois eixos: urgência e importância. Confrontados com diferentes problemas simultâneamente, o decisor (ou decisores) podem estabelecer prioridades na resolução de problemas – porque não se pode resolver tuo ao mesmo tempo... o “truque” da abordagem da matriz é que tem de se resolver em primeiro lugar aquilo que é importante e urgente e depois aquilo que é importante mas não tão urgente. Eu sei que isto explicado sem um desenho pode ser complicado de perceber...

A questão da urgência e da importância coloca-se muito na política – o que é que é importante ou urgente para diferentes perspectivas políticas? Ora esta questão depende muito dos diferentes actores e do seu poder ou capacidade de influência dos processos de decisão. Opiniões são como os chapéus (há muitas...) e muitas vezes encontramos, de facto, visões diferenciadas nas mesmas questões.

Mas o problema, muitas vezes, não é a diferença de opiniões: o problema reside na urgência ou importância destas mesmas questões. Por exemplo, o tema “Juventude” - que Políticas de Juventude para Portugal, para o Distrito de Setúbal ou para o Concelho do Seixal? Pergunto ao leitor: este tema é importante e/ou urgente? Ou nenhuma das outras situações anteriores?

Para contextualizar melhor a questão: imagine que tem um donativo para dar a uma instituição e tem à sua frente uma associação juvenil, uma Instituição Particular de Solidariedade Social e uma Escola - a quem iria dar esse apoio?

Eu sei é uma pergunta com rasteira mas ilustra uma situação real na medição do que é importante ou urgente e que acontece frequentemente. O tema “Juventude” é formalmente de segunda linha e frequentemente tapado por temas como “Educação”, “Desporto” e “Acção Social”. O facto é que o futuro de um País está nos jovens mas o Presente não... e na prática as políticas de Juventude são sempre um processo de boas intenções com recursos nulos... e como podemos mudar isto?

Eu sou de uma geração de dirigentes associativos que aprendeu a temer as juventudes partidárias (as “jotas”) e a querer sobretudo distância delas. As ramificações juvenis dos partidos são, muitas vezes, prolongações dos próprios partidos que visam o recrutamento de “novo sangue” e a instrumentalização do universo juvenil – ficamos sempre com a ideia de que há uma agenda escondida nos representantes das “jotas” - basta olhar para o Conselho Nacional de Juventude... mas hoje sinto que falta “barulho” e que o “silêncio” unânime a que relegada esta dimensão da política portuguesa (e do concelho...) fez com que não houvesse necessidade em progredir no quadro da sua política sectorial.

Quando, no dia 27 de Junho, a JSD propôs a criação de um Cartão Jovem Municipal e a criação de um Conselho Municipal de Juventude, mais do que analisar qualitativamente as propostas desta juventude partidária, há que em primeiro lugar enaltecê-las - há coisas que depois podemos sempre discutir, discordar ou até achar deslocadas do contexto actual mas tem de se pôr no plano de uma agenda política cheia de outros assuntos que muitas vezes passam por ser mais importantes e mais urgentes e o não são.

As juventudes partidárias são, com todas as vicissitudes, estruturas que podem tornar visíveis problemas, necessidades que são urgentes e importantes. Neste momento, mais do que saber o que é certo ou errado, importa criar uma consciência preocupada nos políticos e nos cidadãos. Os autarcas do Seixal (e neste grupo incluo também a CDU...) sabem da importância do investimento na área da Juventude. O que está a faltar é a percepção da urgência...

quinta-feira, novembro 29, 2007

Peço atenção a esta sequência de imagens:







Nem a convenção de Genebra me safou...

quarta-feira, novembro 28, 2007

Doeu...

sábado, novembro 10, 2007

Os meus dedos...

Esta foto foi tirada na França... e alguém que os meus dedos tinham uma flexibilidade fora do normal... ora vejam...





quinta-feira, novembro 01, 2007

In this proud land we grew up strong
We were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail

No fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
Ive changed my face, Ive changed my name
But no one wants you when you lose

Dont give up
cos you have friends
Dont give up
Youre not beaten yet
Dont give up
I know you can make it good

Though I saw it all around
Never thought I could be affected
Thought that wed be the last to go
It is so strange the way things turn

Drove the night toward my home
The place that I was born, on the lakeside
As daylight broke, I saw the earth
The trees had burned down to the ground

Dont give up
You still have us
Dont give up
We dont need much of anything
Dont give up
cause somewhere theres a place
Where we belong

Rest your head
You worry too much
Its going to be alright
When times get rough
You can fall back on us
Dont give up
Please dont give up

got to walk out of here
I cant take anymore
Going to stand on that bridge
Keep my eyes down below
Whatever may come
And whatever may go
That rivers flowing
That rivers flowing

Moved on to another town
Tried hard to settle down
For every job, so many men
So many men no-one needs

Dont give up
cause you have friends
Dont give up
Youre not the only one
Dont give up
No reason to be ashamed
Dont give up
You still have us
Dont give up now
Were proud of who you are
Dont give up
You know its never been easy
Dont give up
cause I believe theres the a place
Theres a place where we belong

Peter Gabriel

To give up or not to give up - eis a questão...

domingo, outubro 28, 2007

Bem...

Li este artigo de opinião notável de Ferreira Fernandes sobre o ataque racista em Barcelona... a escrita dele é muito fluída, atraente e provocadora - podemos não concordar mas ele escreve bem...

Ele acaba o texto com um slogan brilhante para uma campanha para a sensabilização para a interculturalidade:

É dando-nos conta da merda de cão que nos desviamos dela.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Não 1 mas 2 vídeos!!!

No outro dia, estava com um voluntário na associação e ele mostrou-me este clip feito por Michel Gondry, um realizador francês com uma imaginação notável... percam algum tempo a ver o clip [dos Chemical Brothers - Star Guitar] e o respectivo processo.

[Processo]



[Produto]



P.S.: Ok... não resisti são 3... este é um clip para os White Stripes [ Fell In Love With A Girl ]... não resisti aos legos!

terça-feira, outubro 23, 2007

Brincar aos judeus e nazis

Em Setembro, dois jovens portugueses lembraram-se de saltar o muro do cemitério judeu em Lisboa e libertaram o seu génio artístico nas campas com elementos da iconografia nazi. Surpresa! Ou não...

Eu sei: não tem piada!

Mas era importante reflectirmos sobre este episódio para algumas conclusões ou interrrogações... os dois jovens, associados a movimentos de extrema-direita, foram detidos e as vozes de repúdio levantaram-se: em pleno ano europeu para a igualdade de oportunidades, em Portugal aconteceu um fenómeno estranho e alienígena aos brandos costumes do nosso Portugal.

E o que é que a extrema-direita portuguesa quer com os judeus? Os judeus roubam empregos ou põem em causa a segurança dos portugueses? Bem esta questão entra no domínio do ridículo mas a causa preferencial do mal do nosso país para a extrema-direita portuguesa reside na imigração – para os “nacionalistas”, junta-se o útil ao agradável – porque na sua cabeça (e na cabeça de outros...) imigrantes = pretos + monhés + chinocas + estrangeiros em geral.

Provavelmente eles devem ser fãs de Tomás de Torquemada – o inquisitor que expulsou os judeus de Espanha no século XV. Não me parece... o Judeu não é o “arqui-inimigo” da extrema-direita portuguesa e o Torquemada era espanhol. Mas afinal porque é que miúdos profanam campas de judeus?

A Áustria e a Alemanha, mais do que vergonha, têm medo do seu passado anti-semita – não há jovem alemão que não tenha, pelo menos uma vez, tenha visitado um campo de concentração como Auschwitz-Birkenau ou Dachau. São experiências que em alguns casos são muito fortes, quando se observa o cabelo, os ossos, os dentes, as roupas e pertencentes daqueles que morreram lá... pura pedagogia pelo horror e pela vergonha.

Para nós, a contabilidade dos mortos do Nazismo é algo que fazemos à distância de um clique no comando da televisão para o Canal História. Ver cadáveres na Televisão e na Internet é cada vez mais fácil – faz parte das tarefas quotidianas do Cidadão Global. Mesmo quando não sabemos aquilo que representa, de facto, nós podemos sempre brincar aos judeus e nazis sem nunca perder, com a inocência de uma criança. O que torna este atque profundamente estranho e ridículo...

Chamar estes jovens marginais de estúpidos é o caminho mais fácil mas não responde ao desafio que está para vir – porque 1) não foi por falta de informação sobre o anti-semitismo que eles foram profanar um cemitério judeu e 2) não foi pelas razões clássicas do “racismo português” que praticaram este acto de xenofobia.

É importante encarar este problema com clareza científica, livres de preconceitos ideológicos. O racista será objecto das políticas sociais no futuro pois constituí um obstáculo real às políticas sociais do futuro: adianta muito pouco “demonizar” este tipo de comportamentos. É importante compreender as causas do fenómeno, as ramificações e entender que o tema da interculturalidade está presente em diferentes domínios da sociedade. Anúncios e campanhas onde se declara de forma maniqueísta qual o comportamento certo ou errado é uma perda de dinheiro.

Com isto não pretendo justificar ou desculpabilizar a profanação dos cemitérios judaicos – o que quero afirmar é que é preciso falar com um doente para saber quais os sintomas da doença, mesmo quando ele sofre de demência. Porque é de uma epidemia global e social que falamos – os fenómenos migratórios vão determinar ainda mais as agendas políticas dos governos que em tempos de crise vão sempre pelo caminho mais fácil e não pelo melhor caminho.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Aniversário.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro Campos

Paranbéns pá! Parabéns...

quarta-feira, outubro 10, 2007

Mais uma imagem...

Algures lá está a minha mãe quando ela era pequenina...

domingo, outubro 07, 2007

O nú.

1. Tinha um jovem que colaborava com a Rato e ele dizia que na Internet podemos simular todos os sentimentos sem que o(s) outro(s) interlocutor(es) perceba(m). Eu, por outro lado, disse-lhe que as pessoas tem uma tendência a exporem-se emocionalmente no domínio do on-line.

2. Marion Jones, uma campeã olímpica norte-americana de atletismo, admitiu o uso de substâncias dopantes durante um período da sua carreira [YouTube]... fez uma declaração pública teve de descambar em lágrimas.

3. A Operação Triunfo é um programa engraçado - a exposição das emoções em pleno palco é uma situação extrema: pessoas em plena fragilidade choram e choram e choram... dramático... não consigo qual é o seu drama mas fico com a certeza de que as pessoas gostam de chorar em público como se lhes ficasse bem.

Um mundo com um olho omnipresente - o nosso amigo George Orwell havia de rir-se connosco porque ficaria a saber que o big brother é um gajo porreiro e que um bom nú emocional fica sempre bem - aquilo que vemos é aquilo que é...???

quarta-feira, outubro 03, 2007

Muito bem... há muito tempo que não ponho uma imagem - aqui vai:



Esta foi tirada na Polónia - o tipo ao meu lado é um formador/animador belga que vive em Portugal (as gajas dão a volta à cabeça de uma pessoa - deixar a Bélgica para vir para Portugal... cada um sabe de si e Deus sabe de todos...) e ele tinha uma t-shirt que denunciou na foto o meu estatuto intelectual! Divirtam-se um bocadinho à minha custa... :)

terça-feira, outubro 02, 2007

Ando a tentar configurar uma conta MySpace --> http://myspace.com/nunoide <-- mas aquilo é uma bosta... andei às voltas com aquilo e não conseguia encontrar como poderia alterar o aspecto gráfico daquilo...

Se calhar sou eu que sou um nabo (o que também é um facto...) mas sinceramente não percebo o sucesso quando aquilo desafia simultâneamente bom gosto, usabilidade e boa navegação web... não sei...
Ontem voltei a ver o filme "Solaris" do Steven Soderbergh a partir da obra do escritor polaco Stanislaw Lem - muito bonito, não traz nada de novo mas é um filme maravilhoso - destacaria a banda sonora e obviamente o rosto de Natascha McElhone.

Curiosamente (ou não...), filme pegou num texto maravilhoso de Dylan Thomas, enfatizando a força dos fantasmas interiores em cada um de nós...

Fica o poema:

And death shall have no dominion.
Dead men naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.

segunda-feira, outubro 01, 2007

2 notas:

1) hoje li excertos da entrevista do António Lobo Antunes, depois de "revelar numa crónica que tinha sido operado a um cancro no intestino" - a meio da entrevista fala da sua relação de Deus e ele recorreu a um ditado húngaro: "na cova do lobo não há ateus" in http://www.kaminhos.com/destaque.asp?id_artigo=7234

2) Ao ir ao café com os meus pais, encontrei uma mulher, acompanhada pelo seu marido, - não soube dizer quem ela era em particular mas reconheci-a no tempo da minha infância passada nas redondezas do mercado da Cruz de Pau. Os meus pais cumprimentaram-na e a minha mãe disparou as perguntas e contra-respostas a uma pessoa que passou por um período de doença grave e prolongado: "Então como está?... Vá coragem!..."

Prendeu-me o olhar o facto de ela ter a mão esquerda no bolso como se ela tivesse tido um AVC - ao certo não sei quais os males que a tal senhora padece... mas o que foi surpreendente foi a sua contra-contra-resposta: "Quando se nasce, tem!" - quando se nasce, tem...

Relacionei estes dois acontecimentos... não sei porquê mas relacionei...

domingo, setembro 30, 2007

Recomendações à navegação: eu conheci esta rapariga há uns tempos pois ela foi voluntária da Rato - ADCC... já tinha entrado no sítio dela mas decidi voltar porque queria encontrar alguma documentação relacionada com a criação de favicons. É um local onde se pode encontrar o seu blog (feito em wordpress), portfolio e alguns tutoriais ligados a webdesign.

Naveguem à vontade: www.margarida.net; força guiduxa - não te esquecemos de ti.

sábado, setembro 29, 2007

hallelujah

heard there was a secret chord
that david played and it pleased the lord
but you don't really care for music, do you
well it goes like this the fourth, the fifth
the minor fall and the major lift
the baffled king composing hallelujah

hallelujah...

well your faith was strong but you needed proof
you saw her bathing on the roof
her beauty and the moonlight overthrew you
she tied you to her kitchen chair
she broke your throne and she cut your hair
and from your lips she drew the hallelujah

hallelujah...

baby i've been here before
i've seen this room and i've walked this floor
i used to live alone before i knew you
i've seen your flag on the marble arch
but love is not a victory march
it's a cold and it's a broken hallelujah

hallelujah...

well there was a time when you let me know
what's really going on below
but now you never show that to me do you
but remember when i moved in you
and the holy dove was moving too
and every breath we drew was hallelujah

well, maybe there's a god above
but all i've ever learned from love
was how to shoot somebody who outdrew you
it's not a cry that you hear at night
it's not somebody who's seen the light
it's a cold and it's a broken hallelujah

hallelujah...

-------------

No outro dia (há algum tempo...) fui ver um concerto do Pedro Abrunhosa e cantou (ou tentou cantar...) esta canção: eu reconheci o tema mas o que me chamou atenção à coisa foi a expressão "it's a broken hallelujah " - é estranho mas bonito :)

Mais tarde compreendi aonde ouvi a música - foi da série House M.D.

Fiz umas pesquisas e descobri que o tema era do Leonard Cohen que depois foi objecto de versão pelo Jeff Buckley e pelo Rufus Wainwright. Letra e música bonitas... muito bonitas... mas não cantadas pelo Pedro Abrunhosa!

sexta-feira, setembro 28, 2007

I ain't no nice guy

When I was young I was the nicest guy I knew
I thought I was the chosen one
But time went by and I found out a thing or two
My shine wore off as time wore on
I thought that I was living out the perfect life
But in the lonely hours when the truth begins to bite
I thought about the times when I turned my back & stalled

I ain't no nice guy after all

When I was young I was the only game in town
I thought I had it down for sure,
But time went by and I was lost in what I found
The reasons blurred, the way unsure
I thought that I was living life the only way
But as I saw that life was more than day to day
I turned around, I read the writing on the wall

I ain't no nice guy after all
I ain't no nice guy after all

In all the years you spend between your birth and death
You find there's lots of times you should have saved your breath
It comes as quite a shock when that trip leads to fall

Motörhead

Nota: Uma música com 3 acordes... mas não deixa de ter o seu encanto...

terça-feira, setembro 25, 2007

Ville: viva para a Finlândia!

segunda-feira, setembro 24, 2007

Bem... hoje gostava de deixar uma dica de navegação: www.sitedotiago.com --> o "Tiagowski" é um tuga benfiqusita que está a trabalhar na Polónia (mais precisamente na Cracóvia...). É de partir o coco a rir com as cenas que ele conta - os meus posts preferidos são: O dia do meu nome e História de um casamentowski.

Quando falamos de interculturalidade mais do que falar é melhor vivenciar a coisa...

sábado, setembro 22, 2007

Olá.

Para além do trabalho, ando a dedicar-me a trabalhar com o wordpress com o servidor... está a ser mais fácil do que eu esperava... basta em muitos casos utilizar duas técnicas fundamentais em informática:

1) drag and drop
2) next... next... next!

Estou a curtir o servidor gratuito que arranjei :)

P.S.: Hoje à noite vou ser camaraman... espero que corra tudo bem...

terça-feira, setembro 18, 2007

Pois é...

Com o aptana e com o gimp [software livre rula...], editei uma primeira página --> o meu currículo. Faltam coisas e ainda não está como eu quero mas pelo menos o mundo pode ficar a saber um pouco sobre o meu percurso profissional... durante esta semana tenho esta tarefa terminada.

Estou também estou numa de arranjar um domínio gratuito e digo já que os domínios tk são uma merda... se souberem de alguns fixes, deixem um comentário ou mandem um mail. Se calhar compro um domínio para as minhas coisas... mas só posso fazer isso quando tiver dinheiro... até lá... aguento-me.

Depois trabalhar com php e mysql para a instalação de coisas como o joomla ou wordpress... espero não fazer muita merda.

domingo, setembro 16, 2007

Pois é... ontem foi a entrevista do Dalai Lama! Não vi mas ouvia os comentários da minha mãe: "Não percebo nada que este gajo diz!" Eu compreendo-a: o Dalai Lama está quase no patamar do Paulo Coelho ou do Osho que escrevem sobre a filosofia da auto-ajuda para diferentes tipos de pessoas: mulheres à beira da menopausa, machos latinos sentimentais ou funcionários públicos. A lógica da batata, por tão óbvia, só é compreensível por algumas pessoas e em determinados estados existenciais.

Sei que estou a ser injusto com o budismo tibetano... mas apesar do que disse, não deixo de achar o Dalai Lama um gajo inteligente. Ao globalizar o budismo tibetano, ele bem poderia ser o responsável do departamento de Marketing de uma multinacional americana. Mas mais do que ser um bom "marketeer", ele consegui preservar a cultura tibetana (na sua abordagem mais lata) - é esse o seu principal mérito, ao compreender que o que importa é património invisível que une um povo. É uma questão de tempo...

Da mesma forma que a minha mãe não percebe o que o Dalai Lama diz, eu não percebo o incómodo do PCP em relação a esta visita do líder religioso tibetano: se o Tibete fizesse parte da Rússia, eu até poderia entender algum constrangimento num partido com a orientação marxista-leninista. podíamos lembrar como o PCP andou a combater os esquerdismos maoistas no tempo do PREC...

A China é tudo menos um estado comunista - todos sabemos e o PCP sabe-o bem. E o PCP também devia aplicar a mesma máxima anti-colonialista quando defende a auto-determinação do Saara Ocidental ou da Palestina...

Há coisas que desafiam a própria lógica da batata.

P.S.: Hoje andei a pé e encontrei um conhecido meu que não hesitou em chamar-me gordo e perguntou-me se estou com problemas de saúde!

sábado, setembro 15, 2007

Tenho "paletes" de trabalho em atraso mas que se foda!!! *

Ontem comecei a fazer uma página pessoal para pôr o meu currículo pessoal e experimentei o sistema do googlepages. Às tantas, percebi porque que é aquilo não é utilizado por muita gente... não dá para ser personalizado e não temos acesso ao código fonte...

Por isso, descobri esta cena --> www.free-web-hosting.biz
[via google]. Tem suporte para php [com o phpadmin] e com dez bases de dados de MySQL. Com isto vou aprofundar os meus conhecimentos enquanto webdesigner [vai-me fazer bem à saúde... mas sei que vou ficar ainda mais gordo... mas amanhã vou andar a pé]. Espero ter tempo para estas aventuras...

* Nota de redacção: Há liberdade de expressão para a utilização de vocábulos mais impróprios por isso posso dizer palavrões: é o meu blog pessoal... ;) - espero que não se sinta ofendidos... pode ser que comece a dizer palavrões em polaco, finlandês ou alemão... as coisas que se aprendem com voluntários SVE.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Quase Feliz

Uma luz estende-se
Num manto azul celeste
Uma generosidade segura
Pela rotina dos dias

Abre os olhos
Mas nunca vês o que perdeste
É esta a prenda de aniversário
Que tu sempre pedias

Se eu tenho tudo o que sempre quis ter
Se eu sou tudo o que quis ser
Eu sei que sou quase feliz

Uma porta abre-se
No silêncio da noite
Como uma vela
Que se acende do nada

Esquecemos aquilo
Que já não dói
Das cinzas aparece intacta
Uma esperança renovada

Eu tenho tudo o que sempre quis...

Juan Miércoles

quinta-feira, setembro 13, 2007

Vou começar a pôr algumas das leituras cibernéticas (e bibliográficas...) que ando a fazer

Quando estava a preparar uma acção de formação sobre os processos de comunicação nas Novas Tecnologias, encontrei este filósofo finlandês - Pekka Himanen (...Ville ajuda-me a dizer o nome do gajo...) é um gajo com umas ideias engraçadas. Ele aborda as transformações dadas pelas Novas Tecnologias e afirma a criação de uma ética hacker que estará por detrás de uma sociedade em rede.

É giro - para mais informações, gostem ou não http://www.wikipedia.org
Não quero falar de futebol... não é que eu esteja chateado mas estou farto.

Por isso vou falar do blog de um jovem que conheço --> http://muiomuio.net/ <-- aborda diferentes temáticas ligadas a tecnologias. Lê-se bem e tem umas dicas engraçadas.

Parabéns Mário.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Depois das notícias do desvario dos gémeos que roubaram a lua, achei que poderia pôr um post dedicado aos supermanskis!

Confesso que tenho uma atenção especial pelos polacos - trabalho todos os dias com uma polaca e posso dizer que os polacos são um dos povos mais fascinantes do Mundo! Posso dizer que a Polónia é um país mesmo fascinante para os Portugueses... que tem sempre notícias giras de deixar a boca aberta. Por isso a minha contribuição para hoje é este blog de um português na Polónia. Aproveitem...

P.S.: Mas da última vez que Portugal jogou contra a Polónia (em futebol), eu estava na Polónia rodeado de polacos e perdemos... agora espero que possamos ganhar porque senão ninguém vai calá-la... por favor, Scolari!

quinta-feira, agosto 30, 2007

O próximo filme de terror a ser produzido em Hollywood...



Troll Alemã versus Rato Careca Português... a Aldeia de Paio Pires nunca mais foi a mesma...

terça-feira, agosto 28, 2007

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

P.S.: Um dia... um dia...

quinta-feira, agosto 23, 2007

Os cães na Catalunha ladram "bub bub"...

segunda-feira, agosto 20, 2007

Sem missão não há homem

Ortega y Gasset

sábado, agosto 18, 2007


É arte!

Esta foto foi tirada em França.. não tirem conclusões erradas... é arte!

segunda-feira, agosto 13, 2007

Hoje, Muro de Berlim faz anos.

Quando era puto passava o tempo a ver televisão e via os campeonatos europeus de diferentes modalidades desportivas. Especialmente da natação...

O que me fascinava naquela altura eram os hinos e os mais bonitos eram, sem dúvida, os hinos da Europa de Leste. O hino da RDA continua a ser uma referência melódica que não consigo esquecer pela sua beleza e pela mensagem de esperança - era uma composição de Hans Eisler que trabalhou com Bertolt Brecht. Foi demasiado comunista para uns e pouco comunista para outros - sofreu nos dois lados... anos mais tarde li a letra (escrita por Johannes R. Becher) que continha os mesmos sentimentos direccionados para a utopia de um Mundo melhor...

Infelizmente, a Vida não imitou a Arte.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

... e do Bem, se algum houve, ficam as saudades --> bonito, muito bonito...

Ando chateado com a Vida... depois passa... mas agora estou chateado

quinta-feira, agosto 09, 2007

1. Primeiro leiam isto

2. Depois leiam isto:

Bravado

If we burn our wings
Flying too close to the sun
If the moment of glory
Is over before its begun
If the dream is won --
Though everything is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost

When the dust has cleared
And victory denied
A summit too lofty
River a little too wide
If we keep our pride --
Though paradise is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost

And if the music stops
Theres only the sound of the rain
All the hope and glory
All the sacrifice in vain
[and] if love remains
Though everything is lost
We will pay the price,
But we will not count the cost

Neil Peart (Rush)

quarta-feira, agosto 08, 2007

Esta foto foi tirada na Suécia: foi numa espécie de pousada da juventude dedicada ao Desporto em Eskilstuna e havia um conjunto de quadros dedicados a equipas e desportistas nas décadas de 40, 50 e 60 e a percorrer os corredores daquele hotel deparei-me com a cara do Eusébio... é a globalização!

domingo, agosto 05, 2007

«Os homens nunca usaram totalmente os poderes que possuem para promover o bem, porque esperam que algum poder externo faça o trabalho pelo qual são responsáveis.»

John Dewey - este filósofo americano é um dos expoentes maiores da filosofia americana sobretudo na área da educação.
Este gajo é um grande maluco - chama-se Richard Stallman é um dos fundadores do movimento do software livre. Curtam o vídeo...

sexta-feira, agosto 03, 2007

A importância que temos é a importância que nos dão.

Anónimo

quinta-feira, agosto 02, 2007

Mudo

As cortinas fecham
A luz do teu rosto
Deixa-te estar
No silêncio do escuro

Não quero-te ver
Nem sequer saber
Da tua ajuda

Quero estar sozinho
Em paz comigo

Deixa-me estar
Aqui calado
Deixa-me mudo...

Deixa-me estar
Aqui sem dizer nada
Deixa-me mudo

O ruído apodera-se
Das palavras que trazes
Deixa-te estar
No outro lado do muro

Não quero perceber-te
Ou mesmo receber
A tua ajuda

Quero estar sozinho
Em paz comigo...

Juan Miércoles

sábado, julho 28, 2007

Sérgio Godinho - O Primeiro Dia

A principio é simples, anda-se sózinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

Pois é... a Oficina da Juventude do Miratejo fechou hoje

sexta-feira, julho 27, 2007

O povo é aquela parte do Estado que não sabe o que quer.

Anónimo

quinta-feira, julho 26, 2007

há-de flutuar uma cidade...

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

Al Berto

quarta-feira, julho 25, 2007


Em Wisla (o «l» leva um tracinho - lê-se, em português, qualquer coisa como vissua...), Polónia.

É a estátua de um "Robin dos Bosques" local que os polacos dizem que é polaco e os eslovacos dizem que é eslovaco... ele tinha a particularidade de usar um machado.
Don't dream, it's over...

There is freedom within, there is freedom without
Try to catch the deluge in a paper cup
There's a battle ahead, many battles are lost
But you'll never see the end of the road
While you're traveling with me

Hey now, hey now
Don't dream it's over
Hey now, hey now
When the world comes in
They come, they come
To build a wall between us
We know they won't win

Now I'm towing my car, there's a hole in the roof
My possessions are causing me suspicion but there's no proof
In the paper today tales of war and of waste
But you turn right over to the T.V. page

Now I'm walking again to the beat of a drum
And I'm counting the steps to the door of your heart
Only shadows ahead barely clearing the roof
Get to know the feeling of liberation and relief

Hey now, hey now
Don't dream it's over
Hey now, hey now
When the world comes in
They come, they come
To build a wall between us
Don't ever let them win

FIM... há pessoas que vivem numa narrativa aberta.

terça-feira, julho 24, 2007

Oficina

A palavra “oficina” tem acompanhado o percurso da associação à qual presido: durante os últimos anos a Rato - ADCC tem desenvolvido um trabalho de formação e sensibilização para as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação na Oficina da Juventude do Miratejo (OJM).
Esta oficina vai encerrar temporariamente na próxima semana para passar para junto ao novo mercado do Miratejo. Foi fundamental que a Câmara Municipal tenha estado disponível para a criação do protocolo com a Rato – ADCC: a cedência de duas salas (uma sala administrativa e uma sala de formação) na Oficina permitiu à associação crescer exponencialmente na qualidade e quantidade da sua intervenção. Eu, enquanto Presidente da Rato – ADCC, tenho de agradecer à Vereadora responsável pelo pelouro da Juventude na altura - Corália Ribeiro - e aos técnicos da Câmara Municipal do Seixal que acreditaram no projecto. Também gostaria de agradecer aos técnicos de atendimento ao público na OJM que passaram a ser nossos “colegas”...

A palavra “oficina” contém uma ideia de produção. Uma oficina não é uma loja ou um balcão onde se oferece um bem ou serviço. Se traduzirmos a palavra conseguimos as palavras workshop (em inglês) ou atelier (em francês) o que nos ilustra ainda melhor o conceito de trabalho. Resumindo, uma oficina é um local onde se trabalha e o trabalho é, em última análise, um acto de transformação da realidade. Esta linha de argumentação pode ser conotada com uma visão marxista mas isso só me ajudará no apelo que quero fazer neste artigo.

Esta pausa na OJM pode marcar o início de um capítulo onde os equipamentos para a Juventude do Seixal poderão ser isso mesmo: locais onde as pessoas (e neste caso especial, os jovens...) podem produzir; mais do que receber, dar. E aqui há uma questão central: o acesso ao equipamento e o seu modelo de gestão – com o volume de atribuições e responsabilidades que têm sido atribuídas aos municípios, é difícil para a autarquia incutir uma dinâmica que cumpra a ideia de trabalho e produção. Para isso a Câmara tem de contar com as parcerias que tem com o Movimento Associativo, nomeadamente com as associações juvenis. E para que as organizações juvenis consigam ter uma relação produtiva, é necessário que o equipamento seja fruto da participação efectiva das organizações juvenis.

Este processo não é fácil mas é necessário que os responsáveis pelos novos equipamentos estejam conscientes que, por exemplo, é impensável que uma reunião de uma associação que não se possa prolongar por causa de um horário de funcionamento. O associativismo juvenil depende do tempo livre dos seus associados jovens que, mesmo estudando, só têm tempo depois do jantar ou no fim de semana. Esta incompatibilidade só pode ser resolvida com uma lógica diferente no modelo de gestão e de funcionamento dos equipamentos juvenis. A Câmara Municipal pode ser titular e proprietária do equipamento mas tem de pensar como uma estrutura em rede, promotora de parcerias onde o trabalho não depende de uma chave de um edifício...

Mas vou mais longe nesta reflexão: é uma questão de Justiça para as organizações juvenis haver um equipamento que tenha essa flexibilidade e que possa, dessa maneira, servir de espaço de trabalho. Tal como uma oficina. Pode não haver dinheiro para as sedes das associações juvenis, pode não haver dinheiro para uma casa da juventude e podem haver cortes nos apoios às estruturas juvenis mas tem de haver um espaço para que as estruturas juvenis tenham uma “bolha de oxigénio”.

Não podemos esperar que haja uso do equipamento quando este não se ajusta às necessidades dos jovens e das estruturas juvenis ou quando não há familiaridade com estes. Embora existindo um terreno fértil a novos projectos juvenis e que haja já um trabalho feito nesta área, não podemos ficar satisfeitos e temos de estar conscientes da urgência da abertura para estas “novas velhas” ideias...

Quero acreditar, e digo isto sem sarcasmo e cinismo, que os responsáveis políticos e técnicos pela orientação deste “novo” equipamento (a nova oficina da juventude do Miratejo) que ressurgirá brevemente, tenham a coragem de alterar regras institucionalizadas e adaptar às novas formas de participação e às necessidades específicas do concelho do Seixal.

Podemos fazer da “nova” oficina um sítio para reparar “novos velhos” males...

sexta-feira, julho 20, 2007

"All my life I've been fearful of defeat. But now that it has come it's not near as terrible as I'd expected. The sun still shines, water still tastes good...glory is all well and good but life is enough, nay?"

Roma foi uma série do caraças...

sábado, maio 19, 2007

A Estrada – parte II

Sem querer fazer desta situação uma “telenovela”, gostava de pegar novamente no artigo “A Estrada” e na resposta que o mesmo artigo teve da parte Comissão Política de Secção da JSD do Seixal. Faço-o, não por ter necessidade em criar polémicas, mas por achar que é necessário discutir, sem receios e demagogias, as políticas de Juventude no concelho do Seixal.

“A Estrada” foi um artigo da minha autoria e publicado neste mesmo jornal e que originou uma resposta extensa da parte da JSD Seixal, justificando a sua opção pela sua campanha com um outdoor exigindo a alternativa à Nacional 10.

Olhando para trás e analisando aquilo que foi escrito por mim, o artigo tem, na sua substância, duas partes: 1) uma discordância em relação à escolha da acusação da JSD. Sou capaz de admitir que as palavras usadas por mim no artigo em referência possam conter alguma rispidez. De facto, há uma divergência ideológica entre aquilo que eu penso ser uma prioridade para o Concelho do Seixal e aquilo que a JSD considera ser uma prioridade. Não vou argumentar profundamente sobre a promessa não cumprida ou por cumprir. Nas campanhas eleitorais, todos os partidos fazem promessas – ao chegar ao Poder, umas cumprem-se, outras não. Promessas eleitorais são muitas vezes como cartas de amor – o Amor dá muitas voltas e a Política muitas mais. Não sejamos ingénuos: ainda está para surgir o partido que cumpre tudo o que promete. Atenção: não estou a desculpar o executivo da CDU ou a dizer que é correcto que eles não cumpram tudo o que prometeram. Não faço qualquer afirmação – estou sim a constatar um facto.

Claro que gostava que todos os partidos cumprissem tudo o que prometem e acho mal que não se cumpra o que se prometeu. Mas o cerne de “A Estrada”, em parte mal interpretado, não é esse.

É perfeitamente válido dizer que uma estrada é importante para todos os munícipes e que uma juventude partidária não deve unicamente lutar pelos direitos de um grupo etário concreto mas sim de todos os munícipes – concordo. É importante que se denunciem as promessas não cumpridas – também concordo. Ora a ideia no artigo não é essa: o busílis reside naquilo que eu considero ser a sua segunda parte – 2) a inexistência de uma agenda política para a área da Juventude. Na minha opinião, o problema coloca-se na escolha do tema do dito outdoor. Porque entre todas as promessas não realizadas pelo executivo da CDU, existem promessas na área da Juventude. Em vez de "Prometeram. Agora cumpram! Terminem a alternativa à Estrada Nacional 10", poderiam escrever "Prometeram. Agora cumpram! Construam a Casa Municipal da Juventude” ou "Prometeram. Agora cumpram! Abram o Centro de Recursos para a Juventude no Edifício Alentejo”. Simples…

As discussões políticas municipais tornaram o tema “Juventude” um assunto adiado: frequentemente, sinto-me um bocado palerma em escrever sobre isto porque não oiço ecos noutras vozes. Quando a JSD (sendo ela uma organização juvenil) coloca um outdoor sobre uma estrada, acaba por afirmar tacitamente o tema “Juventude” como secundário. Ora o tema não é secundário. Pelo menos, na minha modesta opinião, não é.

Acredito que esta situação não seja intencional da parte da JSD mas acaba-se por entrar num caminho repleto de lugares comuns e de palavras bonitas não passam disso mesmo. Considerava interessante que houvesse por exemplo um discurso político presente nesta área de todas as forças políticas no município e que houvesse uma mobilização para discutir. Os jovens são aptos para mais coisas do que carregar bandeiras de partidos... as juventudes partidárias poderão ser catalizadores dessa mesma discussão, correndo-se sempre o risco de vermos transportadas para este plano as tricas partidárias.

Para finalizar, gostaria de afirmar que o meu intuito neste artigo não é responder à resposta do JSD – foi um apelo sincero à criação de uma discussão produtiva nos actores partidários sobre o projecto político no concelho do Seixal para a Juventude. Não vale a pena chatearem-se – aquilo que eu penso ou escrevo não tira votos a ninguém…

sábado, abril 14, 2007

Eu não sou aquilo que sou. Eu sou aquilo que faço.

Anónimo.

P.S.: Fazer relatórios de actividade é uma merda!!!!

quinta-feira, março 01, 2007

A Estrada.

Independentemente de concordarmos ou não, a Juventude Social Democrata do Seixal tem-se destacado pelo activismo e pelo esforço em divulgar as suas causas. Neste artigo gostaria, antes de me dirigir ao tema central do assunto, de repudiar os actos de vandalismos aos diferentes suportes de divulgação desta juventude partidária. É lamentável que isto aconteça mais de 30 anos após o 25 de Abril - estes actos de vandalismo são actos de censura explícita à liberdade de expressão política que é inalienável a qualquer cidadão ou grupo de cidadãos.

Ora o tema central do meu artigo é o último outdoor lançado pela JSD: a mensagem escrita é "Prometeram. Agora cumpram! Terminem a alternativa à Estrada Nacional 10". Em baixo pode-se ler o slogan da JSD que afirma a sua relação com o receptor politico com "É por ti".

Ao princípio, confesso que fiquei um bocado perplexo com o outdoor: estranhei mas não entranhei! Porque é que uma juventude partidária dedicaria um outdoor - o espaço de divulgação de grande impacto que, consequentemente, é dispendioso - a uma estrada! É verdade que as vias rodoviárias afectam-nos a todos mas porque é que uma "jota" dedicaria um esforço tão grande a declarar por outras palavras: façam uma estrada! E perguntei-me a mim próprio: será que os jovens querem uma estrada?

Nós, na Rato - ADCC, estamos a fazer um documentário sobre o que é ser jovem no Concelho do Seixal (que será apresentado no dia 16 de Março, no Espaço Março Fora D' Horas, pelas 22h - peço desculpa pela publicidade...) e em momento algum, nas mais de 10 horas de filme bruto de entrevistas com jovens e com pessoas ligadas à temática da Juventude, encontrámos alguém a declarar que o que é necessário para o Concelho é a tal estrada ou uma estrada sequer.

Mais peculiar se torna a situação quando pensarmos no slogan da JSD: "É por ti". É pelos jovens do Concelho do Seixal que se reivindica uma estrada. Uma estrada. Uma estrada pelos jovens. Eu pergunto: faz sentido uma organização juvenil, seja ela partidária ou não, lutar por uma estrada quando existem tantas lacunas e há um profundo menosprezo político e ideológico com a faixa etária juvenil na sociedade. Este outdoor diz que falar de juventude é decorativo e acessório porque os problemas reais do concelho (e consequentemente dos jovens seixalenses) baseiam-se em situações como o incumprimento de uma promessa eleitoral de uma estrada. Esta interpretação do outdoor é perfeitamente válida - a JSD ignora e não se importa em ignorar uma agenda política quase consensual na área da Juventude. Que se lixem os jovens, as organizações juvenis e outros inutilidades semelhantes - nós, JSD, queremos uma estrada que vocês prometeram e não fizeram!

Confesso que foi a primeira vez que eu vi uma situação destas - se calhar a JSD quisesse mostrar maturidade política afirmando consciência sobre outros problemas mas com tantos outros problemas porquê uma estrada? Os argumentos apresentados no blog da JSD contêm em si uma prova de um discurso que revela ambição pelo palco maior da política no concelho. Objectivamente analisando, podemos legitimamente concluir que a JSD do Seixal ambiciona algo mais do que ser uma juventude partidária. A JSD quer ser levada a sério por isso aborda assuntos sérios... como estradas.

Já não há estradas com fartura? Por momentos, pensei que a JSD tivesse desprezo pelos próprios jovens porque os problemas dos jovens não sejam dignos de um outdoor de uma juventude partidária. Se calhar têm razão... esta situação é no fundo o espelho da falta de visão sobre as diferentes questões ligadas à Juventude. Os Sex Pistols tinham razão... no future!

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Mudei o look da cena... espero que gostem.

Vou tentar estar mais atento e participativo a este blog.

sábado, fevereiro 17, 2007

Não tenho tempo... Bolas!!! Bolas!!! Bolas!!!

Hoje não me apetece fazer nada mas no outro dia estava a ouvir o Fernando Tordo e lembrei-me desta música...

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Há pessoas notáveis...

António Borges dixit:

Segundo números avançados pelo economista, e tendo como referência que cada interrupção voluntária da gravidez custará ao Estado cerca de 650 euros, «os custos de 2,3 abortos serão suficientes para pagar uma cirurgia média».

Para ler o resto da notícia, siga o link

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Ensinar é dar para sempre... uma frase que roça o piroso mas funciona...

Vejam o video

Até ao próximo post!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Este video é notável... é uma lição de interculturalidade!

Espero que gostem!!!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Feliz Natal e um bom Ano Novo...

Leiam este artigo... é giro...

E aqui fica o meu postal de Natal!!!

Eu vou voltar a escrever mais... prometo!!!

quinta-feira, novembro 23, 2006

Filmes do youtube:

Opção #1:
Hiperligação

Opção #2:

Fazer post #2 com alguns extras

Vamos ver alguns tags básicos...

Em negrito
Em itálico
Em sublinhado

E uma hiperligação para o sítio na Internet da
Rato - ADCC

Fazer 1 post com o Firefox

Graças ao meu amigo Ricardo, fiz o meu primeiro post com o Mozilla Firefox... se isto funcionar a velha máxima é mesmo verdade: software livre rula!!!



powered by performancing firefox

Links interessantes para bloggers:

Guia para blogs

segunda-feira, novembro 06, 2006

Sermão de Frei Tomás para a menina Mafalda

Na Rato - ADCC conheci o Mário(nome fictício), um jovem profundamente convicto de que as substâncias canabinóides (a marijuana ou o haxixe...) aumentam a inteligência e que poderiam ajudar-me com a bronquite asmática que sofro desde os 5 anos. Mostrava-me sítios na Internet com provas e casos médicos relatados. Eu, que nunca meti um cigarro à boca, por pudor ou por cepticismo, nunca fui na sua conversa mas, por vezes, questiono-me se ele tem razão ou não.

Quando trabalhamos em juventude, há que haver uma humildade em saber aprender com os outros, principalmente quando os outros são mais novos que tu. Mas este é um daqueles temas “tramados” em que é fácil entrar nas areias movediças dos sermões moralistas – a Saúde Juvenil. Não sou médico mas durante a minha vida, por ser asmático, fui sempre confrontado com o que posso fazer ou não. E sempre que falava com diferentes médicos, encontrava diferentes perspectivas sobre a minha doença – enquanto “puto” pensava: “Bolas, a medicina é supostamente uma ciência exacta”. Supostamente...

Mais complexo era quando me confrontava com adultos asmáticos e perguntava-lhes “Porque é que fumas? Isso faz mal à saúde...” Duuuh :)

O dilema do “certo e do errado” na adopção de comportamentos saudáveis atravessa a nossa vida em diferentes situações como cidadãos e seres humanos. A droga, os distúrbios alimentares ou a sexualidade levam a questões que ultrapassam o juramento de hipocrates dos médicos. Hoje já somos capazes de admitir que a Saúde é um conceito social e falar de Saúde é mais do que falar das listas de espera, das médias do curso de Medicina e do encerramento de centros de saúde. É necessária uma visão holística e entender que ser saudável é bem mais do que não estar doente. Mais: ser saudável, hoje, pode ser um conjunto de conceitos e, amanhã, pode ser algo completamente diferente. Esta ideia de mudança é difícil de assimilar, sobretudo, para pessoas mais velhas mas também é bastante difícil de encaixar na cabeça de adolescentes e jovens adultos. A falta de referências ideológicas da Pós-modernidade institucionaliza o “vale tudo” - live fast, die young (vive depressa, morre jovem). As últimas palavras de Timothy Leary, defensor nos anos 60 dos benefícios do consumo de LSD, foram: “why not?” - Porque não? Sim... porque não?

Na era da informação, ainda há pessoas que afirmam que há falta de informação. Eu diria que o problema não é esse – o que há é falta de pessoas informadas ou que não querem ser informadas ou ainda que estão fartas de ser informadas. Para vermos como esta questão pode ser transposta para outros domínios da Saúde, pode-se abordar a problema da sexualidade – por exemplo, com que idade é que se é que se deve começar a ter relações sexuais? Podemos ter a resposta “na ponta na língua” mas esta é uma daquelas perguntas com que Mafalda (a personagem de Banda de Desenhada criada pelo argentino Quino) “tramava” o Pai. Todo o assunto está inquinado de valores e ideias da nossa visão do Mundo e da Humanidade. Se para nós (adultos) já é difícil encontrar uma estrela do Norte, imaginem quem está na idade dos “Porquês” e dos “E porque não?”...

Falar é fácil mas, neste caso falar bem é muito difícil – o tema é difuso e, em coerência, obriga a que nós estejamos dispostos a admitir que Frei Tomás (faz o que ele diz, não faças o que ele faz!) vive em todos nós: a verdade é que institucionalizámos diversos hábitos pouco saudáveis – eu, quando era “puto”, dizia que o café era um vício capitalista – hoje bebo três por dia. Não fumo mas estou gordo como um americano. Trabalho uma média de 10 a 12 horas por dia, muitas vezes sentado à frente de um computador – sei que posso morrer bem cedo com complicações cardiovasculares mas dificilmente mudarei a vida que levo. Já tinha idade para ter juízo...

Por outro lado, Mário (ver o primeiro parágarafo), para muitos, é um rapaz muito magro, algo apático (demasiadas ganzas...) com um estilo de vida completamente diferente do meu mas é, de facto, uma pessoa com uma inteligência acima da média – quando falamos sobre Informática facilmente descambamos para discussões sobre Lógica e Filosofia – acreditem que isto num informático é muito raro. Seguimos caminhos diferentes mas não sei quem vai ter mais problemas de saúde (seja lá isso o que for...). O Futuro dirá.